Novos destinos – o mesmo drama

Enquanto a União Europeia fecha as portas à emigração africana, uma nova vaga tenta a sua sorte na América Latina. Africanos podem levar mais de 30 difíceis dias a atravessar o Atlântico para chegar ao Brasil, Argentina ou México. Nos últimos dois anos, os números da imigração duplicaram, assim como os pedidos de estatuto de refugiado.

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As Crianças Lambem o Prato

Quer se trate de populações cujo fraco poder de compra não lhes permite o acesso aos víveres vendidos no mercado ou pessoas cujo estatuto social as torna desprezadas pelas sociedades em que estão inseridas, um elevado número de seres humanos está votado à eliminação ao longo dos próximos anos. Mas ninguém reconhecerá abertamente que “programou” a eliminação pela fome, pelo massacre ou pela deportação daqueles que os incomodam.  Continuar a ler

O remedeio

aCatarina torceu o pé na aula de ginástica. Agora tem de usar uma ligadura e coxeia. O facto não é só desagradável para ela. É desagradável para toda a turma porque Cati devia dançar na festa da escola, no parque. O brilhante número da turma do quarto ano está em perigo.
— Que azar! — disse Jacob. — Isto tudo só porque a Cati não quis deixar de ir à aula de ginástica! Nenhuma estrela de dança vai fazer ginástica antes da festa da escola. Devíamos tê-la proibido!
— A Susi pode dançar por ela — propõe Max.
— Eu? — exclama Susi. — Agora assim, de repente? Vocês queriam a Cati! Ela é que não devia ter torcido o pé! Continuar a ler

Tensões étnico-políticas – A Europa no Rescaldo da Segunda Guerra Mundial

Tensões étnico-políticas
A Europa no Rescaldo da Segunda Guerra Mundial

Nas suas memórias do final dos anos 40 e dos anos 50 do século XX, publicadas depois da sua morte na sequência do famoso «assassinato do chapéu-de-chuva», em Londres, no ano de 1978, o escritor dissidente búlgaro Georgi Markov contava uma história emblemática do período do pós‑guerra – não só do seu país mas da Europa como um todo. Envolvia uma conversa entre um dos seus amigos, que tinha sido preso por confrontar um funcionário comunista que tinha passado à frente na fila do pão e um oficial da milícia comunista búlgara:

«E agora diz-me quem são os teus inimigos?», perguntou o chefe da milícia.

K. pensou durante algum tempo e respondeu: «Não sei, acho que não tenho inimigos.»

«Não tens inimigos!» O chefe levantou a voz. «Estás a querer dizer que não odeias ninguém e que ninguém te odeia?»

«Tanto quanto sei, ninguém.»

«Estás a mentir!», gritou, de súbito, o tenente-coronel, levantando-se da sua cadeira. «Que tipo de homem és tu, se não tens inimigos? Claramente não pertences à nossa juventude, não podes ser um dos nossos cidadãos, se não tens inimigos!… E se, de facto, não sabes como odiar, ensinar-te-emos! Ensinar-te-emos muito depressa!»

Em certo sentido, o chefe da milícia desta história tem razão – era praticamente impossível emergir da Segunda Guerra Mundial sem Continuar a ler

Limpeza Étnica – A Europa no Rescaldo da Segunda Guerra Mundial

Limpeza Étnica

A Europa no Rescaldo da Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial nunca foi um mero conflito por território. Foi também uma guerra de raça e etnicidade. Alguns dos acontecimentos que definiram a guerra em nada se relacionavam com a conquista e a manutenção de terrenos físicos, mas com a imposição de um determinado selo étnico num terreno já detido. O Holocausto judeu, a limpeza étnica do Oeste da Ucrânia, a tentativa de genocídio dos sérvios croatas: tais acontecimentos foram levados a cabo com um vigor tão ardente quanto o da guerra militar. Um grande número de pessoas – talvez 10 milhões ou mais – foram deliberadamente exterminadas sem outro motivo que não o facto de pertencerem ao grupo étnico ou racial errado.

O problema para os que procuram esta guerra racial reside no facto de nem sempre ser fácil definir a raça ou etnicidade de uma pessoa, em especial na Europa de Leste, onde diferentes comunidades estavam, muitas vezes, inextricavelmente entrelaçadas. Os judeus que, por acaso, tinham cabelo louro e olhos azuis podiam escapar porque não se enquadravam no preconceituoso estereótipo racial nazi. Os ciganos podiam disfarçar-se como membros de outros grupos étnicos, e faziam-no, bastando mudar a roupa e os comportamentos – o mesmo acontecendo com os eslovacos na Hungria, os bósnios na Sérvia, os romenos na Ucrânia e por aí fora. A forma mais comum de identificar os amigos ou inimigos étnicos – a língua por eles falada nem sempre se mostrava um indicador seguro. Aqueles que tinham crescido em comunidades mistas falavam várias línguas e podiam saltar entre uma e outra, dependendo da pessoa com quem estavam a falar – uma habilidade que terá salvo muitas vidas durante os dias mais sombrios da guerra e do seu rescaldo. Continuar a ler

Grace, uma menina surpreendente

Grace gosta de teatro mas nunca pensou que só os rapazes pudessem representar os papéis masculinos. Gostava que lhe dessem o papel de Peter Pan no teatro que vai ser feito na escola mas os colegas acham que não pode por ser negra e rapariga. Será que vai conseguir?

Outra história que pode ver e descarregar aqui. 

O maltrato subtil

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O maltrato subtil

Num qualquer dia, numa qualquer cidade, num qualquer país, nasceu uma linda menina, cujos olhos maravilhosos observavam tudo em redor.

Quando começou a andar pela cidade, as pessoas disseram-lhe que, para ser bonita, tinha de usar vestidos bonitos. E ela deixou de se sentir bonita quando não tinha posto um vestido bonito.

Quanto à cor da pele, aconselharam-na a mudá-la, para ser mais bonita, e ensinaram-na a maquilhar-se. A partir desse dia, a menina nunca mais se sentiu bonita se não estivesse maquilhada.

Outro reparo que lhe fizeram foi relativo à altura. Se não fosse mais alta, não seria bonita. A menina começou, então, a usar saltos altos, com grande sacrifício. Aliás, se não calçasse sapatos de tacão, sentia-se sempre baixa e insignificante.

Claro que para ser bonita tinha de ser magra. Assim, nunca mais pôde comer aquilo de que gostava sem se sentir sempre culpada.

E também lhe falaram do cabelo, da cintura, do peito. Deste modo, a menina começou a sentir-se tão feia que todos os dias despendia mais tempo e fazia mais sacrifícios para se sentir um pouco mais bonita.

Acabou por estragar a pele por causa da maquilhagem diária, por deformar os pés por causa dos saltos altos, que usava constantemente, e por ficar debilitada para poder continuar magra segundo os padrões que lhe exigiam.

Tinham-lhe ensinado a não gostar de si como era e a usar sempre artifícios para ser digna do apreço dos outros.

Até que chegou o dia em que começou a ter medo de que os outros descobrissem como era realmente. Sentindo-se feia, apaixonou-se por um rapaz que a tratava como se não fosse digna dele, atitude que ela achou normal. Sentindo-se feia e sem conseguir aceitar-se, passou a permitir que a maltratassem.

Nunca te esqueças de que a verdadeira beleza é uma atitude, e de que és sempre uma pessoa lindíssima quando és autêntica.

Diego Jiménez