A criança no sótão

 

livro luz 3m

 

Vou chamar-lhe Walter, embora esse não seja o seu verdadeiro nome.

Walter era uma criança esperta que não se empenhava muito nos estudos.

Um dia, a sua vida mudou radicalmente. O pai abandonou-o e aos irmãos, deixando a mãe com três rapazes para cuidar. Como o Estado não fornecia qualquer tipo de apoio a mães trabalhadoras, a mãe de Walter trabalhava em vários lados a fim de assegurar o sustento dos filhos. À medida que as férias grandes se aproximavam, começou a preocupar-se com os perigos a que os filhos estariam sujeitos ao vaguear pelas ruas enquanto ela trabalhava. Continuar a ler

Tempos

livro biblioteca cores m

Ler. Ler histórias durante o período de confinamento que temos de atravessar
em nome do regresso à vida.
Para voltarmos a ela o mais rapidamente possível.

Neste período insólito que estamos a atravessar em Espanha (e “no mundo em geral”) aprendemos muitas coisas em poucos dias: palavras de cunho recente, como “coronavírus” – e a sua variante química, COVID-19 – interpretações de diagramas perturbadores sobre a evolução da doença em diferentes países, nomes de virologistas, comportamentos de microrganismos, novas síndromes que se avizinham… Cada fenómeno que surge traz consigo o seu próprio glossário.

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A leitura aproxima as pessoas

livro palavras 1 m

Os bons escritores são aqueles que conseguem colocar os leitores na pele do outro. Creio ser essa a maior virtude da leitura. Ao entrar na pele de diferentes narradores, ao sentir-se parte de outras vidas, o leitor vai-se percebendo também parte da restante Humanidade. Tenho para mim, e atrevo-me a partilhar com vocês esta convicção — ingenuidade, dirão os cínicos —, que os grandes leitores tendem a ser menos inclinados à violência. Primeiro, porque a violência é sempre um recuo do pensamento.

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O limpador de placas

Conheci um homem que era limpador de placas de rua.
Todas as manhãs, às sete horas, ele ia para o trabalho.
Para chegar à Central de Limpeza de Placas de Rua, na Praça do Incenso, ele levava mais ou menos meia hora. Cumprimentava o porteiro, fazia algum comentário sobre o tempo e ia para o vestiário.
Lá vestia um macacão azul, botas azuis de borracha, e depois, sem muita pressa, ia para o almoxarifado, onde lhe entregavam uma escada azul, um balde azul, uma escova azul e uma flanela também azul.
Enquanto ia arrumando as coisas, ele conversava com os colegas, que também preparavam seus instrumentos de trabalho. Depois iam todos até ao depósito pegar as bicicletas azuis e saíam pelo portão.
A saída dos limpadores de placas de rua nas suas bicicletas era um espetáculo magnífico. Eles pareciam imensos pássaros azuis saindo do ninho ao mesmo tempo. Continuar a ler

A história de Jip

A história de Jip, de Katherine Paterson

“Katherine Paterson mora numa pequena cidade do Estado do Vermont. Conhece bem a história da região, que tem estudado infatigavelmente e que serve de moldura a vários romances seus. As suas obras foram traduzidas em cerca de vinte línguas e distinguidas com numerosos prémios literários.

Se Jip, cujas aventuras os leitores irão descobrir, é uma personagem de romance, Put Nelson existiu realmente. Com efeito, na segunda metade do século XIX, há notícia de um homem do Estado do Vermont que vivia numa jaula, na quinta dos pobres em Hartford. Gostava de cantar para as crianças e repetia indefinidamente a mesma ária. A sua história figura nos arquivos da Vermont Historical Society e da Vermont State Library, onde a autora a encontrou.”