As aves anunciam o sol, e com ele, a vida

As aves anunciam o Sol e, com ele, a Primavera.

É passado o Inverno, do calor do lume e das longas conversas à lareira.

Agora, o Verão, a areia dourada e a frescura das ondas, os papagaios de papel a rodopiar no céu.

Depois, o Outono, das folhas que dançam, vermelhas, ao sopro do vento.

Seria interessante dedicares a cada uma das estações do ano um pequeno poema.

Procura, em relação à Primavera, basear-te na imagem que acabaste de ver.

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A cigarra e a formiga – La Fontaine

La Fontaine (1621-1695)
Tradução de Bocage (1765-1805)

A Cigarra e a Formiga

Tendo a cigarra, em cantigas,
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema,
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

– Amiga – diz a cigarra
– Prometo, à fé de animal,
Pagar-vos, antes de Agosto,
Os juros e o principal.

A formiga nunca empresta,
Nunca dá; por isso, junta.
– No verão, em que lidavas?
– À pedinte, ela pergunta.

Responde a outra: – Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.
– Oh! Bravo! – torna a formiga
– Cantavas? Pois dança agora!

O Livro das Virtudes
Uma antologia de William J. Bennett, 1995

 

Fábula da Fábula – Miguel Torga

Vida e morte

Vida e Morte

A flor não cresce
sem o manto do sol.

A ave não canta
sem o toque de luz.

A alma não vive
sem a força da fé.

A flor desabrocha
num riso de infância.

A ave esvoaça
no carinho do vento.

A alma dilata-se
nos dons do Amor.

A flor agoniza
na candura perdida.

A ave entristece
na miragem do ter.

A alma despede-se
na vertigem do ódio.

Anónimo

Texto amavelmente cedido pelo blogue Palavras-Vivas: http://palavras-vivas.blogspot.com/