Memórias de infância

A maioria das outras coisas bonitas da vida vem aos pares ou aos trios,
às dúzias ou às centenas. Muitas rosas, estrelas, arcos-íris, irmãos e irmãs, tias e primos.
Mas só há uma mãe em todo o mundo.
Kate Douglas Wiggin

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Ela está passivamente sentada em frente ao televisor. Pouco interessa o programa que está a ser transmitido desde que não tenha de se mexer para mudar de canal. Caminhar, como tudo o resto, tornou-se uma tarefa difícil para ela. Precisa que a ajudem a vestir, a comer e a tomar banho. Não é porque o seu corpo se tenha tornado velho e decrépito — ela só tem 48 anos, mas o seu cérebro sim.
Tem a doença de Alzheimer. É a minha mãe. Continuar a ler

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Ser mãe aos quinze anos

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Fiquei grávida no fim do nono ano. Foi um choque total. Sabia que teria de enfrentar muitas dificuldades: dar a notícia aos meus pais, decidir se iria adiante com a gravidez, e descobrir que maneira eu e o Ronnie, o pai da criança, tomaríamos conta dela. Como, apesar da inconsciência do nosso comportamento, tinha consciência de que ia precisar de muita ajuda, falei primeiro com a minha mãe. Assim que lhe contei, percebi o quanto a desapontara e o quanto ela se debatia para aceitar a situação e falar dela ao meu pai.

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Bater no fundo

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– Estavas a tentar magoar-te, Tracy?

Os meus pulmões contraíram-se, o meu rosto ruboresceu e perdi o folgo. Em quê que me tinha metido? O rosto da assistente social aproximou-se e ela repetiu a questão várias vezes. Os seus olhos atentos observavam a minha alma e pareceu-me que conseguia ler os meus pensamentos. Sim, eu estava a tentar magoar-me a mim própria. Continuar a ler

Uma mudança para melhor

Desde pequena que me diziam para não cometer os erros da minha mãe. É certo que ela não tinha tido uma vida fácil: Engravidara aos 17 anos e culpavame constantemente pelos fracassos da sua vida. Como era incapaz de tomar conta de mim, tiveram de ser os meus avós a ir buscarme quando eu tinha seis semanas e a criarme como se fosse filha deles. Continuar a ler

A Viagem de Chase

Quando o meu pai e a minha madrasta souberam que não podiam ter um bebé, decidiram tornar-se uma família de acolhimento. A ideia de dar uma família a uma criança e, ao mesmo tempo, permitir que a nossa crescesse era precisamente aquilo que procurávamos. Passados muitos meses, Chase, um menino de dois anos, entrou nas nossas vidas. Continuar a ler

Que batom combina com as montanhas?

É no aconchego mútuo que as pessoas vivem.
Provérbio Irlandês

“Há apenas três coisas que me preocupam,” disse a minha mãe ao telefone.

Conseguia imaginá-la de pé, em frente à janela da cozinha, com o telefone preso entre a cara e o pescoço, enquanto cortava orégãos frescos para o jantar. “Ser atacada por ursos, precisar de ir à casa de banho… e ficar feia nas fotografias.”

Esforcei-me por fazer ouvir a minha voz mais confiante, suave e tranquilizadora…e disse-lhe: “Se tiver de ser, vou espantar os ursos para bem longe com um pau, mas provavelmente não veremos nenhum. Ter que fazer chichi de cócoras no meio do monte não é nada de especial; e prometo que não vamos publicar fotografias feias na revista. Se o fizermos, podemos sempre pôr uma daquelas tiras pretas por cima dos teus olhos….”

Estava combinado.

Iria levar a minha mãe de cinquenta e um anos, Priscilla, e a sua irmã gémea, Linda, numa viagem de três dias de mochila às costas — um trabalho para a revista Backpacker. Estava entusiasmada, mas também nervosa. A minha mãe e a tia Linda não são exatamente montanhistas… Para elas, passar um dia inteiro ao ar livre equivale a dezoito buracos de golfe e a um bife no churrasco. Mas cada uma delas tem três filhos que adoram o ar livre. E estavam ansiosas por ver o que aquilo era…

“Posso ao menos levar um batom?” suplicou a minha mãe já no trilho principal, enquanto eu verificava o conteúdo do seu saco. Continuar a ler