A felicidade está nas pequenas coisas

f

Desfruta das pequenas coisas.
Um dia podem tornar-se as maiores da tua vida.

Robert Brault

Era um daqueles dias de múltiplos afazeres e eu já estava atrasada nas tarefas de casa.
Há séculos que não ia ao supermercado e faltava quase tudo na despensa. A roupa para lavar empilhava-se, cada vez mais, no cesto, e a casa tinha ultrapassado os meus, bastante flexíveis, padrões de limpeza. Como se isto não bastasse, tinha de entregar dois artigos e precisava, por isso, de passar algum tempo diante do computador.
Os meus quatro filhos não tinham aulas naquele dia. Encantados por estar em casa, perguntavam-me, constantemente, o que iríamos fazer. Mas eu sabia que os meus planos os iam desapontar. Nenhum deles era divertido e especial.
Quando acordaram, deram-se conta de que não tinham as taças de cereais prontas, porque não havia leite. Só cereais secos… e eles não gostavam muito… Também não havia ovos ou pão, o que reduzia em muito as opções do pequeno-almoço. Bem procurei Continuar a ler

A semente dos desejos

coração sementes mm

Tudo estava a correr mal.
No próprio dia em que deixei as muletas por causa de um ferimento num joelho, o meu filho adolescente chegou do acampamento, também de muletas, com um ferimento no joelho. Estava em sofrimento e necessitava de uma cirurgia. E não tínhamos qualquer seguro.
Na semana anterior, fora-nos dito que o nosso novo carro, do qual precisávamos desesperadamente, não tinha reparação possível. Portanto, devolvi-o e, embora contra vontade, tive que adquirir um modelo maior.No regresso a casa, depois do negócio, uma pedra projetada pelas rodas estilhaçou o para-brisas. O correio daquele dia trouxe uma animadora carta do IRS dizendo-me que devia quase vinte mil dólares de mais-valias de uma casa que eu e o meu ex-marido tínhamos vendido dois anos antes. Nessa altura, estava eu a ensinar em casa os quatro filhos mais novos, mal sobrevivendo com os honorários da minha atividade como escritora independente, e folheando de fio a pavio a papelada do promotor de justiça para poder obter assistência para as crianças.

Continuar a ler

A outra mulher

c

Ao fim de vinte e um anos de casamento, descobri a forma de manter viva a chama do amor e a intimidade na minha relação com a minha mulher.
Recentemente, comecei a sair com outra mulher.
Na realidade, a ideia não foi minha.
— Tu sabes que gostas dela — disse-me ela um dia, apanhando-me de surpresa. — A vida é muito curta. Precisamos de estar com as pessoas que amamos.
— Mas eu amo-te a ti — protestei eu.
— Eu sei. Mas também a amas a ela. Talvez não acredites em mim, mas acho que, se vocês passarem mais tempo juntos, nós os dois vamos sentir-nos mais unidos.
Como sempre, Peggy tinha razão.
A outra mulher com quem a minha me encorajava a sair era a minha mãe. Continuar a ler

Uma história para o dia de São Valentim

jpLarry e Jo Ann eram um casal normal. Viviam numa casa normal numa rua normal. Como qualquer outro casal normal, tentavam fazer face às despesas e dar o melhor aos filhos.

Mas também eram normais num outro aspeto: tinham as suas discussões. E muitas das questões prendiam-se com o que não estava bem no seu casamento e com quem tinha a culpa. Até que um dia aconteceu uma coisa extraordinária…

— Sabes, Jo Ann, tenho uma cómoda mágica. Sempre que abro uma das gavetas, ela está cheia de meias e roupa interior — disse Larry. — E tenho-me esquecido de te agradecer por contribuíres para isso ao longo de todos estes anos!

O Ann olhou para o marido, espantada. E ele continuou: Continuar a ler

Memórias de infância

A maioria das outras coisas bonitas da vida vem aos pares ou aos trios,
às dúzias ou às centenas. Muitas rosas, estrelas, arcos-íris, irmãos e irmãs, tias e primos.
Mas só há uma mãe em todo o mundo.
Kate Douglas Wiggin

3

Ela está passivamente sentada em frente ao televisor. Pouco interessa o programa que está a ser transmitido desde que não tenha de se mexer para mudar de canal. Caminhar, como tudo o resto, tornou-se uma tarefa difícil para ela. Precisa que a ajudem a vestir, a comer e a tomar banho. Não é porque o seu corpo se tenha tornado velho e decrépito — ela só tem 48 anos, mas o seu cérebro sim.
Tem a doença de Alzheimer. É a minha mãe. Continuar a ler

Ser mãe aos quinze anos

mãe m

Fiquei grávida no fim do nono ano. Foi um choque total. Sabia que teria de enfrentar muitas dificuldades: dar a notícia aos meus pais, decidir se iria adiante com a gravidez, e descobrir que maneira eu e o Ronnie, o pai da criança, tomaríamos conta dela. Como, apesar da inconsciência do nosso comportamento, tinha consciência de que ia precisar de muita ajuda, falei primeiro com a minha mãe. Assim que lhe contei, percebi o quanto a desapontara e o quanto ela se debatia para aceitar a situação e falar dela ao meu pai.

Continuar a ler em https://condicaodamulher.wordpress.com

 

 

Bater no fundo

anne coração f

– Estavas a tentar magoar-te, Tracy?

Os meus pulmões contraíram-se, o meu rosto ruboresceu e perdi o folgo. Em quê que me tinha metido? O rosto da assistente social aproximou-se e ela repetiu a questão várias vezes. Os seus olhos atentos observavam a minha alma e pareceu-me que conseguia ler os meus pensamentos. Sim, eu estava a tentar magoar-me a mim própria. Continuar a ler