A Mesa dos Ricos

mesa 3 m

Se nos vissem sentados na nossa mesa de cozinha, feita à mão e toda arranhada, saberiam logo que não somos ricos. Mas o meu pai está a tentar fazer-nos ver que somos.

Será que não vê os meus sapatos gastos? Ou que o meu irmãozinho tem remendos nas calças que leva para a escola? E como explicará ele aquela carrinha a desfazer-se, estacionada à nossa porta?

Continuar a ler

A diferença que uma caminhada faz

foto pedras caminho m

Sê parte do milagre do momento.
Thich Nhat Hanh

O meu pai e eu caminhávamos muitas vezes juntos, mas depois de ele ter passado pelas cirurgias de bypass cardíaco e das costas, tivemos que encarar a realidade de os seus dias de longas caminhadas terem acabado aos setenta anos. No entanto, por milagre, apenas um ano após estes revezes, ele conseguiu acompanhar-me através do País de Gales, num percurso de cerca de 300 quilómetros, de costa a costa.

Continuar a ler

A felicidade está nas pequenas coisas

f

Desfruta das pequenas coisas.
Um dia podem tornar-se as maiores da tua vida.

Robert Brault

Era um daqueles dias de múltiplos afazeres e eu já estava atrasada nas tarefas de casa.
Há séculos que não ia ao supermercado e faltava quase tudo na despensa. A roupa para lavar empilhava-se, cada vez mais, no cesto, e a casa tinha ultrapassado os meus, bastante flexíveis, padrões de limpeza. Como se isto não bastasse, tinha de entregar dois artigos e precisava, por isso, de passar algum tempo diante do computador.
Os meus quatro filhos não tinham aulas naquele dia. Encantados por estar em casa, perguntavam-me, constantemente, o que iríamos fazer. Mas eu sabia que os meus planos os iam desapontar. Nenhum deles era divertido e especial.
Quando acordaram, deram-se conta de que não tinham as taças de cereais prontas, porque não havia leite. Só cereais secos… e eles não gostavam muito… Também não havia ovos ou pão, o que reduzia em muito as opções do pequeno-almoço. Bem procurei Continuar a ler

A semente dos desejos

coração sementes mm

Tudo estava a correr mal.
No próprio dia em que deixei as muletas por causa de um ferimento num joelho, o meu filho adolescente chegou do acampamento, também de muletas, com um ferimento no joelho. Estava em sofrimento e necessitava de uma cirurgia. E não tínhamos qualquer seguro.
Na semana anterior, fora-nos dito que o nosso novo carro, do qual precisávamos desesperadamente, não tinha reparação possível. Portanto, devolvi-o e, embora contra vontade, tive que adquirir um modelo maior.No regresso a casa, depois do negócio, uma pedra projetada pelas rodas estilhaçou o para-brisas. O correio daquele dia trouxe uma animadora carta do IRS dizendo-me que devia quase vinte mil dólares de mais-valias de uma casa que eu e o meu ex-marido tínhamos vendido dois anos antes. Nessa altura, estava eu a ensinar em casa os quatro filhos mais novos, mal sobrevivendo com os honorários da minha atividade como escritora independente, e folheando de fio a pavio a papelada do promotor de justiça para poder obter assistência para as crianças.

Continuar a ler

A outra mulher

c

Ao fim de vinte e um anos de casamento, descobri a forma de manter viva a chama do amor e a intimidade na minha relação com a minha mulher.
Recentemente, comecei a sair com outra mulher.
Na realidade, a ideia não foi minha.
— Tu sabes que gostas dela — disse-me ela um dia, apanhando-me de surpresa. — A vida é muito curta. Precisamos de estar com as pessoas que amamos.
— Mas eu amo-te a ti — protestei eu.
— Eu sei. Mas também a amas a ela. Talvez não acredites em mim, mas acho que, se vocês passarem mais tempo juntos, nós os dois vamos sentir-nos mais unidos.
Como sempre, Peggy tinha razão.
A outra mulher com quem a minha me encorajava a sair era a minha mãe. Continuar a ler

Uma história para o dia de São Valentim

jpLarry e Jo Ann eram um casal normal. Viviam numa casa normal numa rua normal. Como qualquer outro casal normal, tentavam fazer face às despesas e dar o melhor aos filhos.

Mas também eram normais num outro aspeto: tinham as suas discussões. E muitas das questões prendiam-se com o que não estava bem no seu casamento e com quem tinha a culpa. Até que um dia aconteceu uma coisa extraordinária…

— Sabes, Jo Ann, tenho uma cómoda mágica. Sempre que abro uma das gavetas, ela está cheia de meias e roupa interior — disse Larry. — E tenho-me esquecido de te agradecer por contribuíres para isso ao longo de todos estes anos!

O Ann olhou para o marido, espantada. E ele continuou: Continuar a ler