Metamorfoses da casa

Marek Brzozowski casas voo f aum

Ergue-se aérea pedra a pedra
a casa que só tenho no poema.

A casa dorme, sonha no vento
a delícia súbita de ser mastro. Continuar a ler

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Bater no fundo

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– Estavas a tentar magoar-te, Tracy?

Os meus pulmões contraíram-se, o meu rosto ruboresceu e perdi o folgo. Em quê que me tinha metido? O rosto da assistente social aproximou-se e ela repetiu a questão várias vezes. Os seus olhos atentos observavam a minha alma e pareceu-me que conseguia ler os meus pensamentos. Sim, eu estava a tentar magoar-me a mim própria. Continuar a ler

Os ratinhos da Ópera

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Era uma vez uma família de ratinhos que vivia num sótão, em Paris. Podia ser num outro sótão qualquer, mas não: era no da Ópera! Os ratos, segundo dizem, são extremamente inteligentes, mas não se disse ainda até que ponto têm ouvido musical. Estes ratinhos tinham escolhido aquela residência porque podiam ouvir música por uma boca de ventilação. Como se sentiam felizes a ouvir as suas melodias preferidas, de mãos erguidas como se estivessem a rezar! O pai, a mãe, os avós e as duas meninas… Continuar a ler

Pauzinhos de marfim

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Na China antiga, um jovem príncipe resolveu mandar fazer, de um pedaço de marfim muito valioso, um par de pauzinhos. Quando isto chegou ao conhecimento do rei seu pai, que era um homem muito sensato, este foi ter com ele e explicou-lhe:

Não deves fazer isso, porque esse luxuoso par de pauzinhos pode levar-te à perdição! Continuar a ler

Pequeno Aguadeiro

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Depois de um século da assinatura da Lei Áurea, o negro brasileiro ainda não experimentou sua verdadeira libertação. Não lhe prepararam caminhos em que pudesse enfrentar a nova realidade: participar do convívio social em pé de igualdade com os antigos senhores e seus descendentes. O importante é que o potencial que cada negro carrega está prestes a surgir para que se enriqueça mais e mais a terra brasileira.

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Uma viagem tranquila – Os sonhos e o simbolismo da passagem

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Eu tinha um medo de morte da morte. Creio que todos temos medo da morte de uma maneira ou de outra, mas eu evitava pensar nela a todo o custo. Quando a minha companheira decidiu que queria um cão, adorei a ideia. Contudo, como sabia que o cão haveria um dia de morrer, resisti ao desejo dela o mais que pude. Acabámos com dois cães. No dia em que o primeiro deles morreu, eu estava a milhares de quilómetros de distância, algo que muito me aliviou. Senti-me como se tivesse evitado uma bala. Quando a minha avó morreu, chorei dias a fio e decidi não assistir ao funeral. Era uma situação com a qual não poderia lidar. Continuar a ler