Memórias de infância

A maioria das outras coisas bonitas da vida vem aos pares ou aos trios,
às dúzias ou às centenas. Muitas rosas, estrelas, arcos-íris, irmãos e irmãs, tias e primos.
Mas só há uma mãe em todo o mundo.
Kate Douglas Wiggin

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Ela está passivamente sentada em frente ao televisor. Pouco interessa o programa que está a ser transmitido desde que não tenha de se mexer para mudar de canal. Caminhar, como tudo o resto, tornou-se uma tarefa difícil para ela. Precisa que a ajudem a vestir, a comer e a tomar banho. Não é porque o seu corpo se tenha tornado velho e decrépito — ela só tem 48 anos, mas o seu cérebro sim.
Tem a doença de Alzheimer. É a minha mãe. Continuar a ler

Os ratinhos da Ópera

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Era uma vez uma família de ratinhos que vivia num sótão, em Paris. Podia ser num outro sótão qualquer, mas não: era no da Ópera! Os ratos, segundo dizem, são extremamente inteligentes, mas não se disse ainda até que ponto têm ouvido musical. Estes ratinhos tinham escolhido aquela residência porque podiam ouvir música por uma boca de ventilação. Como se sentiam felizes a ouvir as suas melodias preferidas, de mãos erguidas como se estivessem a rezar! O pai, a mãe, os avós e as duas meninas… Continuar a ler

Uma colcha com história

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Quando a minha bisavó Anna veio para a América, trazia o mesmo espesso casacão e as botas altas que usava no trabalho rural. Mas a família deixou de trabalhar a terra. Em Nova Iorque, o pai passou a carregar coisas para uma camioneta, e o resto da família fazia flores artificiais o dia todo.

 Todos tinham pressa, e havia sempre tanta gente na cidade! Não se comparava com a Rússia. Mas agora, esta era a sua casa, e a maioria dos vizinhos era exatamente como eles. Continuar a ler

A Terra do Nunca

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A última parte das suas vidas passaram-na numa rua sem saída. Tinham trabalhado para conseguir a sua casa, sonhado com ela uma vida inteira, poupado para ela uma vida inteira. Era pequena, acanhada e mal dividida. Os condutores que entravam no minúsculo jardim da frente só conseguiam sair de marcha-atrás e com dificuldade. Era a última casa do lado direito, no final do beco estreito. Continuar a ler