Sugestões de leitura para adultos – edições brasileiras

A Garota Que Você Deixou Para Trás

Jojo Moyes
Intrínseca, 2014

Jojo Moyes apresenta a comovente história de duas jovens separadas por quase um século no tempo,mas juntas em sua determinação de lutar por aquilo que amam – custe o que custar.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo – a família, a reputação e a vida – na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra.

Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.


1A bibliotecária de Auschwitz

Antonio G. Iturbe
Nova Fronteira, 2013

Muitas histórias do horror e sofrimento testemunhados dentro dos campos de concentração nazistas são contadas e recontadas, já estão gravadas e arquivadas. É difícil, nesses relatos, encontrar atos de esperança e força diante de todo o mal registrado durante o Holocausto.

A Bibliotecária de Auschwitz é um livro diferente. É uma história verdadeira e cheia de detalhes a respeito de um professor judeu, Fredy Hirsh, que criou uma escola secreta dentro do bloco 31, no campo de concentração de Auschwitz, dedicando-se a lecionar para cerca de 500 crianças. Criou também uma biblioteca de poucos volumes com a ajuda de Dita Dorachova, uma menina judia de 14 anos que se arriscava para manter viva a esperança trazida pelo conhecimento e escondia os livros embaixo do vestido. É um registro de uma época sofrida da história, mas que também mostra a coragem de pessoas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes usando os livros como “arma”.


últimos-dias-de-nossos-pais-jOs últimos dias de nossos pais

Joël Dicker
Intrínseca, 2015

Após a frustração de ter tido o Exército britânico encurralado em Dunquerque, Winston Churchill tem uma ideia capaz de mudar o curso da guerra: a criação de uma nova seção do serviço secreto britânico, a SOE (Executiva de Operações Especiais), responsável por conduzir ações de sabotagem e se infiltrar nas linhas inimigas. Algo jamais feito na história. Na esperança de se juntar à Resistência, o jovem Paul-Émile deixa Paris e vai para Londres. Logo recrutado pela SOE, ele se integra a um grupo de franceses que se tornam seus companheiros de coração e de armas. Passando por formações e treinamentos intensos nos quatro cantos da Inglaterra, os selecionados voltarão para a França ocupada para contribuir na resistência. Mas a espionagem alemã está alerta… A existência da SOE por muito tempo foi mantida em segredo. Várias décadas após o fim das atrocidades da Segunda Guerra, Os últimos dias de nossos pais é um dos primeiros romances a abordar sua criação e a relembrar as verdadeiras relações entre a Resistência e a Inglaterra de Churchill. Dicker constrói um livro sobre amor, amizade e medo, com uma profunda reflexão sobre o ser humano e suas fraquezas.


Uma-Prova-do-CeuUma prova do céu

Dr. Eben Alexander

A jornada de um neurocirurgião à vida após a morte

Sextante, 2013

“Minha experiência mostrou que a morte não é o fim da consciência e que a existência humana continua no além-túmulo. E, mais importante ainda, ela se perpetua sob o olhar de um Deus que nos ama e que se importa com cada um de nós.

Cético, defensor da lógica científica e neurocirurgião há mais de 25 anos, o Dr. Eben Alexander viu sua vida virar do avesso quando passou por uma experiência que ele mesmo considerava impossível. Vítima de uma meningite bacteriana grave, ficou em coma por sete dias. Enquanto os médicos tentavam controlar a doença, algo extraordinário aconteceu.

Eben embarcou numa jornada por um mundo completamente estranho. Sem consciência da própria identidade, foi mergulhando cada vez mais fundo nessa realidade difusa, onde conheceu seres celestiais e fez descobertas transformadoras sobre a existência da vida após a morte e a profunda relação que todos nós temos com Deus.

Quando os médicos já pensavam em suspender seu tratamento, o inesperado aconteceu: seus olhos se abriram. Ele estava de volta. Mas nunca mais seria o mesmo. Aquela experiência o levou a questionar tudo em que acreditava até então. Afinal, como neurocirurgião, ele sabia que o que vivenciou não poderia ter sido uma mera fantasia produzida por seu cérebro, que estava praticamente destruído.

Analisando as evidências à luz dos conhecimentos científicos, o Dr. Eben decidiu compartilhar essa incrível história para mostrar que ciência e espiritualidade podem e devem andar juntas.

Narrado com o fascínio de um paciente que visitou o outro lado e com a objetividade de um médico que tenta comprovar a veracidade de sua experiência, este é um livro emocionante sobre a cura física e espiritual e a vida que se esconde nas diversas dimensões do Universo.”


Hereges

Leonardo Padura
Boitempo, 2015

O ponto de partida é um episódio real: a chegada ao porto de Havana do navio S.S. Saint Louis, em 1939, onde se escondiam 900 refugiados vindos da Alemanha. A embarcação passou vários dias à espera de uma autorização para o desembarque. No romance, o garoto Daniel Kaminsky e seu tio, aguardavam nas docas, trazendo um pequeno quadro de Rembrandt que pertencia à família desde o século XVII e que esperavam utilizar como moeda de troca para garantir o desembarque da família que estava no navio. No entanto, o plano fracassa, a autorização não é concedida, e o navio retorna à Alemanha, levando também a esperança do reencontro. Quase setenta anos depois, em 2007, o filho de Daniel, Elías, viaja dos Estados Unidos a Havana para esclarecer o que aconteceu com o quadro e sua família.


o homemO Homem que Amava os Cachorros

Leonardo Padura
Boitempo, 2013

A história é narrada, no ano de 2004, pelo personagem Iván, um aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana e, a partir de um encontro enigmático com um homem que passeava com seus cães, retoma os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e encarregado de executá-lo.

Esse ser obscuro, que Iván passa a denominar “o homem que amava os cachorros”, confia a ele histórias sobre Mercader, um amigo bastante próximo, de quem conhece detalhes íntimos. Diante das descobertas, o narrador reconstrói a trajetória de Liev Davidovitch Bronstein, mais conhecido como Trotski, teórico russo e comandante do Exército Vermelho durante a Revolução de Outubro, exilado por Joseph Stalin após este assumir o controle do Partido Comunista e da URSS, e a de Ramón Mercader, o homem que empunhou a picareta que o matou, um personagem sem voz na história e que recebeu, como militante comunista, uma única tarefa: eliminar Trotski. São descritas sua adesão ao Partido Comunista espanhol, o treinamento em Moscou, a mudança de identidade e os artifícios para ser aceito na intimidade do líder soviético, numa série de revelações que preenchem uma história pouco conhecida e coberta, ao longo dos anos, por inúmeras mistificações.

As duas trajetórias ganham sentido pleno quando Iván projeta sobre elas sua própria experiência na Cuba moderna, seu desenvolvimento intelectual e seu relacionamento com “o homem que amava os cachorros”.


pintassilgoO pintassilgo

Donna Tartt
Companhia das Letras, 2014

Theo Decker, um nova-iorquino de treze anos, sobrevive milagrosamente a um acidente que mata sua mãe. Abandonado pelo pai, Theo é levado pela família de um amigo rico. Desnorteado em seu novo e estranho apartamento na Park Avenue, perseguido por colegas de escola com quem não consegue se comunicar e, acima de tudo, atormentado pela ausência da mãe, Theo se apega a uma importante lembrança dela: uma pequena, misteriosa e cativante pintura que acabará por arrastá-lo ao submundo da arte.

Já adulto, Theo circula com desenvoltura entre os salões nobres e o empoeirado labirinto da loja de antiguidades onde trabalha. Apaixonado e em transe, ele será lançado ao centro de uma perigosa conspiração.
O Pintassilgo é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino.


homeroA odisseia de Homero

Gwen Cooper
Editora Sextante, 2010

Todo mundo que tem gatos sabe que eles são dotados de uma sensibilidade incrível e possuem uma forma peculiar de encarar a vida. Mas Homero tinha muito mais a ensinar.

Abandonado, cego e rejeitado, ele tinha tudo para ser amuado e medroso. Ninguém imaginaria que um gato sem os olhos – que precisaram ser retirados cirurgicamente para garantir sua sobrevivência – seria capaz de levar uma vida normal, com a alegria e a esperteza características dos felinos.

Contrariando todas as expectativas, Homero vivia como se seus olhos não lhe fizessem falta. Era bagunceiro, implicante, temperamental, divertido e dengoso como qualquer outro gato. Gwen Cooper fazia questão de afirmar que ele não era diferente. Mas ele era.

Diferente não por causa da falta de visão, mas por sua capacidade de fazer aflorar nas pessoas o que elas tinham de melhor. Parecia haver em seu espírito uma sabedoria oculta e uma energia latente que inspiravam todos à sua volta.

Homero se tornou o centro do mundo de sua dona. Foi se esforçando para garantir a segurança do seu gato que ela aprendeu a estabelecer a sua própria. Foi preocupando-se com a felicidade dele que Gwen percebeu quanto estava sozinha. E foi lhe oferecendo um amor incondicional que ela permitiu que esse sentimento entrasse em sua vida.

Mais do que um livro divertido e comovente sobre as aventuras de um gatinho, A odisseia de Homero é uma história de superação, de autoconhecimento, de transformação e de crescimento pessoal. Ela vai fazer você rir, se emocionar e compreender que, para conseguir o que queremos da vida, muitas vezes precisamos dar um salto no escuro, da mesma forma que Homero: confiando em nossos instintos e acreditando que sempre cairemos de pé.


O Jardim Secreto de Eliza

Kate Morton
Editora Rocco, 2009

O Jardim Secreto de Eliza – Em 1913, um navio chega à Austrália direto de Londres, trazendo com ele uma menina de quatro anos, absolutamente sozinha, sem um acompanhante adulto sequer. Com ela, apenas uma pequena mala com um livro de contos de fadas. O mistério de quem era a bela garota, que dizia não lembrar seu nome, e de como chegou ao porto, jamais foi desvendado. Em suas memórias ela trazia apenas a imagem de uma mulher que ela chamava de a dama ou a Autora e que dizia que viria buscá-la. Muitos anos depois, em 2005, na cidade australiana de Brisbane, a doce e reservada Cassandra herda de sua avó Nell uma casa na Inglaterra. Surpresa, ela descobre que a casa esconde as origens de sua avó, que foi uma vez a bela menina sem nome perdida no porto.

Enquanto acompanha a viagem de Cassandra para a Inglaterra em busca de suas origens, a autora revela uma trama paralela que se desenrola muitos anos antes do nascimento da menina, quando Nell vê seu mundo cair depois que seu pai revela, às vésperas de seu noivado, que ela não é sua filha verdadeira. A notícia a transforma numa mulher estranha, colecionadora de artigos antigos e raros e que vive numa casa em uma região afastada da Austrália. Seu exílio auto imposto, no entanto, é quebrado quando sua filha deixa a pequena Cassandra a seus cuidados. Revoltada com a filha por ter abandonado a menina, assim como aconteceu com ela quando criança, Nell acaba estreitando laços com a neta.

Um dia, porém, nos idos dos anos 1970, Nell, resolve finalmente reconstituir o caminho de volta a terra de onde veio: Londres. Lá, descobre muitas coisas sobre seu passado, incluindo as lembranças da moça que chamava de A Autora: Eliza Makepeace, uma travessa menina contadora de histórias que tinha sua própria cota de tragédias para viver na Inglaterra da virada do século XIX para o XX. Seria Eliza mãe de Nell? E por que ela a abandonou? Agora, é a vez de Cassandra revirar a pequena mala de segredos da avó e saber o que Nell conseguiu descobrir, se é que ela obteve sucesso em sua busca


Na terra da nuvem branca

Sarah Lark
Europa Editora , 2013

Governanta e professora de uma rica família em Londres, Helen Davenport anseia por um casamento, mas, sem pretendentes e já perto de completar 30 anos, sabe que suas possibilidades não são boas. Quando vê, na sua igreja, um anúncio de um fazendeiro na Nova Zelândia que procura uma mulher solteira e honrada para se casar, não pensa duas vezes. Após uma breve troca de correspondências com o pretendente, decide aceitar a proposta e emigrar.
Não muito longe, no País de Gales, Gwyneira Silkham, filha de um nobre e rico criador de ovelhas, está entediada com sua vida. Durante uma negociação de matrizes com um rico fazendeiro da Nova Zelândia, seu pai aceita o desafio para um jogo de cartas aparentemente inofensivo. Acaba apostando — e perdendo — a mão de sua filha em favor do filho do fazendeiro. Surpreendentemente, em vez de se revoltar, Gwyn vê na distante colônia a chance de uma vida vibrante e plena de aventuras.
Ambientado no século 19, durante o início da colonização inglesa na Nova Zelândia, o romance Na Terra da Nuvem Branca conta a história dessas duas corajosas mulheres que mudam radicalmente suas vidas e partem rumo ao desconhecido. Elas se encontram no navio, durante a longa e perigosa viagem, e começam a construir laços de uma duradoura amizade, que será decisiva na luta para a conquista de seus ideais.
Mesmo sendo uma história ficcional, a autora Sara Lark lança um olhar feminino sobre o momento histórico da colonização e a cultura dos nativos maoris. Destaca ainda a personalidade das mulheres e as dificuldades que enfrentam face às oportunidades que uma terra em formação oferece. E constrói uma saga envolvente e apaixonante.


A cidade do sol

Khaled Hosseini
Editora Nova Fronteira, 2013

Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rashid, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos.
Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: “Você pode ser tudo o que quiser.” Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Confrontadas pela história, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a história continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do “todo humano”, somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.


Holocausto brasileiro
Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes no Maior Hospício do Brasil

Daniela Arbex
Geração, 2014

Neste livro-reportagem fundamental, a premiada jornalista Daniela Arbex resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da nossa história: a barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena. Ao fazê-lo, a autora traz à luz um genocídio cometido, sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de médicos, funcionários e também da população, pois nenhuma violação dos direitos humanos mais básicos se sustenta por tanto tempo sem a omissão da sociedade.
Pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros da Colônia. Em sua maioria, haviam sido internadas à força. Cerca de 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças.


A resposta

Kathryn Stockett
Bertrand Brasil, 2011

A Resposta – Uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA.

Eugenia Skeeter Phelan acabou de se graduar na faculdade e está ansiosa para tornar-se escritora, mas encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Porém, o único emprego que consegue é como colunista de dicas domésticas do jornal local. É assim que ela se aproxima de Aibellen, a empregada de uma de suas amigas. Em contanto com ela, Skeeter começa a se lembrar da negra que a criou e, aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, tem uma ideia perigosa: escrever um livro em que empregadas domésticas negras relatam o seu relacionamento com patroas brancas.

Mesmo com receio de prováveis retaliações, ela consegue a ajuda de Aibileen, empregada que já ajudou a criar 17 crianças brancas, mas chora a perda do próprio filho, e Minny, cozinheira de mão cheia que, por não levar desaforo para casa, já esteve por diversas vezes desempregada após bater boca com suas patroas. Uma história emocionante e estarrecedora onde a cor da pele das pessoas determina toda a sua vida. Um livro que, devido ao seu tema, chegou a ser recusado por quase sessenta editoras antes de ser publicado.

Sugestões de leitura para adultos – edições portuguesas

o olhar de sophie jojo moyesO olhar de Sophie

Jojo Moyes
Porto Editora, 2014

Somme, 1916. Sophie vive numa vila ocupada pelo exército alemão, tentando sobreviver às privações e brutalidade impostas pelo invasor, enquanto aguarda notícias do marido, Edouard Lefèvre, um pintor impressionista, que se encontra a lutar na Frente. Quando o comandante alemão vê o retrato de Sophie pintado por Edouard, nasce uma perigosa obsessão que leva Sophie a arriscar tudo – a família, a reputação e a vida.
Quase um século depois, o retrato de Sophie encontra-se pendurado numa parede da casa de Liv Halston, em Londres. Entretanto, Liv conhece o homem que a faz recuperar a vontade de viver, após anos de profundo luto pela morte prematura do marido. Mas não tardará que Liv sofra uma nova desilusão – o quadro que possui é agora reclamado pelos herdeiros, e Paul, o homem por quem se apaixonou, está encarregado de investigar o seu paradeiro…
Até onde estará Liv disposta a ir para salvar este quadro? Será o retrato de Sophie assim tão importante que justifique perder tudo de novo?


comércioUm comércio respeitável

Philippa Gregory
Porto Editora, 2013

1787. Bristol é uma cidade em franco crescimento, uma cidade onde o poder atrai os que estão dispostos a correr riscos. Josiah Cole, um homem de negócios que se dedica ao comércio de escravos, decide arriscar tudo para fazer parte da comunidade que detém o poder na cidade. No entanto, para isso, Cole vai precisar de capital e de uma esposa bem relacionada que lhe abra as portas necessárias. Casar com Frances Scott é uma solução conveniente para ambas as partes. Ao trocar as suas relações sociais pela proteção de Cole, Frances descobre que a sua vida e riqueza dependem do comércio respeitável do açúcar, rum e escravos…
Em Um Comércio Respeitável, Philippa Gregory oferece-nos um retrato vívido e impressionante de uma época complexa onde imperam a ganância e a crueldade que devastaram todo um continente.


1A bibliotecária de Auschwitz

Antonio G. Iturbe
Agir, 2014

Minuciosamente documentado, e tendo como base o testemunho de Dita Dorachova, a jovem bibliotecária checa do Bloco 31, este livro conta a história inacreditável, mas verídica, de uma jovem de 14 anos que arriscou a vida para manter viva a magia dos livro, ao esconder dos nazis durante anos a sua pequena biblioteca, de apenas oito volumes, no campo de extermínio de Auschwitz.
Sobre a lama negra de Auschwitz, que tudo engole, Fredy Hirsch ergueu uma escola. Num lugar onde os livros são proibidos, a jovem Dita esconde debaixo do vestido os frágeis volumes da biblioteca pública mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu.
No meio do horror, Dita dá-nos uma maravilhosa lição de coragem: não se rende e nunca perde a vontade de viver nem de ler, porque, mesmo naquele terrível campo de extermínio nazi, «abrir um livro é como entrar para um comboio que nos leva de férias».
Um romance comovente: uma história maravilhosa, pungente e diferente de tudo o que já leu sobre o Holocausto e de que poucos têm conhecimento.


OsUltimosDiasDosNossosPaisOs últimos dias dos nossos pais

Joël Dicker
Agir, 2014

Em 1940, Winston Churchill desenha um plano que mudará o curso da guerra: criar uma nova unidade nos serviços secretos — Special Operations Executive (SOE) — que leve a cabo ações de sabotagem a partir do interior das linhas inimigas, uma estratégia jamais vista.
Meses mais tarde, o jovem Paul-Émile parte de Paris rumo a Londres com a esperança de se juntar à Resistência. O SOE não tarda a recrutá-lo, bem como a um grupo de jovens voluntários. Depois de um treino brutal, os poucos eleitos para integrar a nova unidade são enviados para a França ocupada com a missão de treinar forças de resistência. Aí conhecerão o amor, o medo, a coragem e a amizade.
Mas, no Continente, a contra espionagem alemã ameaça toda a operação e o destino dos jovens militares…
Os últimos dias dos nossos pais é um livro profundamente humano e uma verdadeira homenagem à coragem e à lealdade.


Uma-Prova-do-CeuUma prova do céu

Dr. Eben Alexander
O testemunho de um neurocirurgião sobre a vida para além da morte
Lua de Papel, 2013

Em novembro de 2008, um reputado neurocirurgião americano contraiu uma espécie rara de meningite. Levado de urgência para o hospital, entrou em coma. Durante sete dias esteve em morte cerebral. Quando a equipa clínica discutia já a hipótese de desligar a máquina, deu-se o primeiro milagre: o médico despertou.
O segundo milagre, só viríamos a conhecê-lo em Uma Prova do Céu. Nos sete dias em que esteve cerebralmente morto, o neurocirurgião viajou até um território inexplorado – a vida depois da morte. O cético cientista, que durante anos negara a existência de Deus, viu-se confrontado com uma experiência transcendente que lhe deixou marcas profundas. Ao sétimo dia, quando emergiu do coma, soube que a sua vida nunca mais seria a mesma.
Autor de mais de 200 artigos científicos, percebeu que a ciência e o divino podem viver lado a lado. E que, como neurocirurgião, iria continuar a investigar os segredos do cérebro, mas agora munido da certeza de que a vida continua depois da morte.


HeregesHereges

Leonardo Padura
Porto Editora, 2015

Em 1939, o S.S. Saint Louis, onde viajavam novecentos judeus fugidos da Alemanha, passou vários dias ancorado no porto de Havana à espera de autorização para desembarcar. Um rapaz, Daniel Kaminsky, e o tio aguardam no cais a saída dos familiares, confiantes de que estes tentariam os oficiais havaneses com o tesouro que traziam escondido: uma pequena tela de Rembrandt, na posse dos Kaminsky desde o século XVII. Mas o plano fracassou e o transatlântico regressou à Europa, levando consigo qualquer esperança de reencontro e condenando muitos dos seus passageiros.
Volvidos largos anos, em 2007, quando essa tela vai a leilão em Londres, o filho de Daniel, Elías, viaja dos Estados Unidos a Havana para descobrir o que aconteceu com o quadro e com a sua família. Só um homem como o investigador Mario Conde o poderá ajudar. Elías descobre então que o pai vivia atormentado por um crime, e que esse quadro, uma imagem de Cristo, teve como modelo outro judeu, que quis trabalhar no atelier de Rembrandt e aprender a pintar com o mestre.
Hereges é um romance absorvente sobre uma saga judaica que chega até aos nossos dias e que vem confirmar o autor como um dos narradores mais ambiciosos e internacionais da língua espanhola.


O Homem que gostava de cãesO homem que gostava de cães

Leonardo Padura
Porto Editora, 2015

Em 2004, com a morte da mulher, Iván, um aspirante a escritor, relembra um episódio que lhe aconteceu em 1977, quando conheceu um homem enigmático que passeava pela praia acompanhado de dois galgos russos. Após vários encontros, «o homem que gostava de cães» começou a confidenciar-lhe relatos singulares sobre o assassino de Trótski, Ramón Mercader, de quem conhecia pormenores muito íntimos. Graças a essas confidências, Iván irá reconstituir a trajetória de Liev Davídovitch Bronstein, mais conhecido por Trótski, e de Ramón Mercader, e de como se tornaram vítima e verdugo de um dos crimes mais reveladores do século XX.
Através de uma escrita poderosa sobre duas testemunhas ambíguas e convincentes, Leonardo Padura traça um retrato histórico das consequências da mentira ideológica e do seu poder destrutivo sobre a utopia mais importante do século XX.


pintassilgoO pintassilgo

Donna Tartt
Editorial Presença, 2015

Theo Decker, um adolescente de 13 anos, vive em Nova Iorque com a mãe, com quem partilha uma relação muito próxima e que é a figura parental única, após a separação dos pais pouco antes do trágico acontecimento que dá início a este romance. Theo sobrevive inexplicavelmente ao acidente em que a mãe morre, no dia em que visitavam o Metropolitan Museum. Abandonado pelo pai, Theo é levado para casa da família de um amigo rico. Mas Theo tem dificuldade em se adaptar à sua nova vida em Park Avenue, e sente uma dor profunda pela falta da mãe. É neste contexto que uma pequena e misteriosa pintura que ela lhe tinha mostrado no dia em que morreu se vai impondo a Theo como uma obsessão. E será essa pintura que finalmente, já adulto, o conduzirá a entrar no submundo do crime.
O Pintassilgo é um livro poderoso sobre amor e perda, sobrevivência e capacidade de nos reinventarmos, uma brilhante odisseia através da América dos nossos dias, onde o suspense e a arte são dois elementos decisivos para prender o leitor.


odisseiahomerA odisseia de Homer

Gwen Cooper
Pergaminho, 2011

A última coisa que Gwen Cooper queria era adotar outro gato. Já tinha duas gatas, para não falar de um emprego em que lhe pagavam uma miséria, e estava a tentar recuperar de uma separação difícil. Até que a veterinária das suas gatas ligou para lhe falar de um gatinho de três semanas, abandonado e maltratado, cujos olhos tiveram de ser retirados cirurgicamente. Gwen era a sua última esperança de encontrar um lar. Foi amor à primeira vista. O gatinho era uma bola de pêlo mínima, preta e assustada e, mesmo tendo consciência das dificuldades que ele enfrentaria por causa da sua cegueira, Gwen decidiu adotá-lo — e ele tornou-se os olhos pelos quais ela passaria a ver o mundo.
Batizado de «Homer» — uma homenagem ao poeta grego supostamente cego, criador da Odisseia e do seu herói, Ulisses — este gatinho cresceu até se tornar um animal forte, confiante, cheio de entusiasmo e com uma vontade inesgotável de brincar! Mas foi a lealdade inabalável de Homer, com sua capacidade ilimitada de amar e o seu exemplo de força, superação e coragem, que levou Gwen a mudar a sua vida. E, quando conheceu o homem com quem viria a casar, Gwen percebeu que Homer lhe tinha ensinado a lição mais importante da vida: que o amor não é algo que possa ser visto com o olhar.


O jardim dos segredos

Kate Morton
Porto Editora, 2014

Uma criança perdida: em 1913 uma criança é encontrada só, num barco que se dirigia à Austrália. Uma mulher misteriosa prometera tomar conta dela, mas desapareceu sem deixar rasto.
Um terrível segredo: no seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst.
Uma herança misteriosa: aquando do falecimento de Nell, a neta, Cassandra, depara-se com uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam — segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvelar a verdade sobre a família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida.
Um livro marcante, que aborda com mestria a complexidade dos sentimentos humanos.


No país da nuvem branca

Sarah Lark
Marcador, 2014

Londres, 1852. Duas raparigas empreendem uma viagem de barco rumo à Nova Zelândia e tornam-se amigas. Trata-se, para ambas, do início de uma nova vida como futuras esposas de dois homens que conhecem apenas por correspondência. É o começo de uma nova vida com homens que não conhecem. Gwyneira, de origem nobre, está prometida ao filho de um magnata da criação de ovelhas, enquanto Helen, uma jovem precetora, parte para se casar com um fazendeiro. Procuram encontrar a felicidade num país que promete ser o paraíso. No entanto, as ilusões de ambas depressa se esfumam, principalmente quando descobrem que a sua amizade está em perigo porque os maridos são inimigos.
Gwyneira e Helen são mais fortes do que acreditavam ser e rompem com os preconceitos e as restrições da sociedade onde vivem, mas serão capazes de alcançar o amor e a felicidade do outro lado do mundo?
Um romance cativante sobre o amor e o ódio, a confiança e a inimizade, e sobre duas famílias cujo destino está indissoluvelmente unido.


um presenteUm presente muito especial

Joanne Huist Smith
Nascente, 2014

Depois da morte inesperada do marido, Joanne sente-se incapaz de retomar a sua vida e de ser o exemplo de força que os seus filhos, Ben, Nick e Megan, precisam mais do que nunca. Com a aproximação da quadra natalícia, tudo parece ainda mais duro de suportar.
Mas, 12 dias antes do Natal, um presente é deixado misteriosamente à porta de casa, acompanhado de um cartão com a assinatura «Os vossos verdadeiros amigos». No dia a seguir, um novo presente, no dia seguinte mais um presente, e assim acontece, até à véspera de Natal.
Estes 12 presentes irão tornar-se uma dádiva de grandeza incomparável e acabam por dar origem a um milagre: a reaproximação entre mãe e filhos e o fortalecimento dos seus laços de amor.
Uma história que aquece o coração e que mostra como simples atos de bondade são capazes de transformar um momento doloroso num caminho de força e amor.


Enquanto houver estrelas no céu

Kristin Harmel
Porto Editora, 2014

Desde sempre, Rose, ao entardecer, olhava o céu em busca da estrela da tarde. Era aquela estrela, agora que a sua memória estava a abandoná-la, que lhe permitia recordar-se de quem era e de onde vinha; que a transportava para os seus dezassete anos, para uma confeitaria nas margens do Sena. Ninguém conhecia a sua história nem sequer a sua neta, Hope. Num dos seus raros momentos de lucidez sente que é importante falar-lhe de um passado longínquo, que manteve em segredo durante setenta anos e que em breve ficará perdido para sempre. Munida de uma lista de nomes e de fragmentos de uma vida, Hope parte para Paris em busca de respostas.
Para Hope esta será também uma viagem de descoberta: de tradições religiosas há muito diluídas, de histórias vividas numa Paris ocupada onde o amor sobrevive e, sobretudo, da sua capacidade de recomeçar e acreditar em si mesma.

Kristin Harmel escreve com tamanha perspicácia e emoção que as personagens que criou permanecem com o leitor muito depois de este terminar o livro.


Mil sóis resplandecentes

Khaled Hosseini
Presença, 2008

Mil Sóis Resplandecentes é um romance pleno de sensibilidade, que tem como pano de fundo as convulsões sociopolíticas que abalaram o Afeganistão nas últimas três décadas.

Mariam e Laila são duas mulheres que a guerra e a morte obrigam a partilhar um marido comum e cuja coragem lhes permitirá lutar pela sua felicidade num cenário impiedoso.

Uma obra inesquecível que evoca o que há de mais intrínseco em todos os seres humanos: o direito ao amor, a um lar e à integridade, e que reflete sobre as relações humanas face à impunidade e às atitudes de tirania.


Não odiarei

Izzeldin Abuelaish
Planeta, 2012

O doutor Izzeldin Abuelaish — agora conhecido com o “Médico de Gaza” — tornou-se conhecido em todo o mundo na sequência de uma terrível tragédia: a 16 de Janeiro de 2009, bombardeiros israelitas atingiram a sua casa na Faixa de Gaza, matando três das filhas e a sobrinha.
Médico palestiniano formado em Harvard, nascido e criado num campo de refugiados na Faixa de Gaza, Abuelaish tem, ao longo de quase toda a sua vida, cruzado as linhas que dividem israelitas e palestinianos, na qualidade de médico que assiste as vítimas de ambos os lados do conflito; como humanista, tem também pugnado pelos direitos das mulheres a melhor saúde e educação, e pelo desenvolvimento no Médio Oriente.
Como pai de três filhas mortas por soldados israelitas, a sua reação a esta tragédia fez notícia e valeu-lhe prémios humanitários em todo o mundo. Em vez de procurar vingança ou de se abandonar ao ódio, tem apelado ao entendimento entre os povos da região, sendo a sua esperança mais profunda a de que as filhas venham a ser “o último sacrifício no caminho para a paz entre palestinianos e israelitas.”


Holocausto Brasileiro
Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes no Maior Hospício do Brasil

Daniela Arbex
Guerra e Paz editores, 2014

Em Holocausto Brasileiro, a premiada jornalista de investigação Daniela Arbex resgata do esquecimento esta chocante e macabra história do século XX brasileiro: um genocídio feito pelas mãos do Estado, com a conivência de médicos, funcionários e população, que roubou a dignidade e a vida a 60.000 pessoas.
Bebiam água do esgoto. Comiam ratos. Morriam ao frio e à fome. Eram exterminados com electrochoques tão fortes, que toda a cidade ficava sem luz, por sobrecarga da rede. Os bebés eram roubados às mães logo à nascença. Nos períodos de maior lotação, morriam 16 pessoas por dia dentro dos muros do Colônia. Ao morrer, davam lucro. Os cadáveres eram vendidos às faculdades de medicina. Quando o número de corpos excedia a procura, eram decompostos em ácido, no pátio, diante dos pacientes. Os ossos eram comercializados. Nada ali se perdia. Excepto a vida.
É a essas 60.000 pessoas que Daniela Arbex devolve agora o rosto e a identidade, num relato que recupera o testemunho dos poucos sobreviventes e dá voz aos milhares que já não podem contar a sua própria história. O hospício de Colônia só foi transformado em verdadeiro Centro Hospitalar Psiquiátrico em 1980.


ettyEtty Hillesum: Uma vida transformada

Patrick Woodhouse
Paulinas, 2011

A 9 de março de 1941, uma judia holandesa de 27 anos de idade, chamada Etty Hillesum — que vivia na cidade de Amesterdão, ocupada pelo inimigo — escreveu a sua primeira entrada num diário, que se tornou um dos mais notáveis documentos surgidos do Holocausto nazi. Ao longo dos seguintes dois anos e meio, uma jovem mulher insegura, caótica e perturbada foi transformada numa pessoa que inspirava todos aqueles com quem partilhava o sofrimento do campo de trânsito de Westerbork e com quem viria a perecer em Auschwitz.
Através dos seus diários e cartas, ela continua a ser alguém de profundamente inspirador: uma jovem extraordinariamente viva e expressiva, que viveu uma espiritualidade de esperança no período mais sombrio do século XX.
Etty Hillesum: uma vida transformada explora a vida e os escritos de Etty, revelando-a como uma figura assombrosamente contemporânea.


as serviçaisAs serviçais

Kathryn Stockett
Saída de Emergência, 2013

Skeeter tem vinte e dois anos e acaba de regressar da universidade. Pode ter uma licenciatura, mas estamos em 1962, no Mississípi, e a sua mãe só a irá deixar em paz quando a vir com uma aliança no dedo. Provavelmente a jovem encontraria conforto junto da sua adorada Constantine, a empregada negra que a criou, mas esta foi embora e ninguém lhe diz para onde.
Aibileen é uma empregada negra que criou dezassete crianças brancas. Mas desde que o seu próprio filho morreu, algo mudou dentro de si. Quem a conhece sabe que tem um grande coração e uma história ainda maior para contar. Minny, a melhor amiga de Aibileen, é a mulher com a língua mais afiada do Mississípi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma nova e insólita patroa.
Estas três personagens extraordinárias vão cruzar-se e iniciar um projeto clandestino que as vai colocar a todas em perigo. E porquê? Porque estão a sufocar com as barreiras que definem a sua cidade, o seu tempo e as suas vidas.

«Eles chegam com as suas belas palavras…»

Kevin Bales
Gente descartável
Lisboa, Editorial Caminho, 2001

(excertos adaptados)

Anterior: Brasil: A vida à beira do precipício

«Eles chegam com as suas belas palavras…»

A partir do princípio da década de 1980, quando a vaga de desenvolvimento alastrou para Mato Grosso do Sul, os recrutadores começaram a aparecer nos bairros de lata de Minas Gerais em busca de trabalhadores com alguma experiência de fazer carvão. Esses recrutadores são chamados gatos e desempenham um papel-chave no processo de escravização. Quando eles entram nas favelas com os seus camiões de gado e anunciam que estão a contratar homens ou mesmo famílias inteiras, os residentes desesperados respondem imediatamente. Os gatos vão de porta em porta ou usam altifalantes para chamar as pessoas à ma. Por vezes os políticos locais, e até as igrejas locais, deixam-nos usar os edifícios públicos e ajudam-nos a recrutar trabalhadores. Os gatos explicam que precisam de trabalhadores nos ranchos e nas florestas do Mato Grosso. Como bons vendedores, expõem as muitas vantagens do trabalho regular e das boas condições. Oferecem-se para fornecer transporte para Mato Grosso, boa comida no local, um salário regular, ferramentas e viagens gratuitas a casa para visitar a família. Para uma família faminta, isto parece uma oferta milagrosa de um novo começo. Num campo de carvão do Mato Grosso falei com um homem chamado Ronaldo (nome não verdadeiro), que descreveu o seu recrutamento: Os meus pais viviam numa zona rural muito seca e quando cresci não havia lá trabalho, nenhum trabalho. Por isso decidi ir para a cidade. Fui para São Paulo, mas lá era ainda pior; não havia trabalho e tudo era muito caro, e o lugar era perigoso — havia muito crime! Por isso depois fui para Minas Gerais porque ouvi dizer que lá havia trabalho. Não sei se havia ou não, mas um dia veio um gato e começou a recrutar pessoas para trabalhar aqui no Mato Grosso. O gato disse que nos dariam boa comida todos os dias e que além disso teríamos bom salários. Prometeu que todos os meses o seu camião levaria as pessoas a Minas Gerais para poderem visitar as famílias e levar-lhes os salários. Até deu dinheiro a alguns homens para darem às famílias antes de partirem e comprarem comida para levarem consigo na viagem. Conseguiu encher facilmente o camião de trabalhadores e partimos na viagem para oeste. Durante o caminho, quando parávamos para meter combustível, o gato dizia: «Vão ao café e comam o que quiserem, que eu pago.» Tínhamos passado fome durante muito tempo, por isso pode imaginar como comemos! Quando chegámos a Mato Grosso, continuámos a avançar cada vez mais para o interior do país. Este campo fica a uns setenta quilómetros de tudo; é só cerrado durante mais de setenta quilómetros, até encontrar nem que seja uma fazenda, e só há uma estrada. Quando chegámos ao acampamento pudemos ver que era horrível: as condições não eram boas nem para animais. De pé à volta do acampamento havia homens armados. E então o gato disse: «Cada um de vocês deve-me muito dinheiro: há o preço da viagem, e da comida que vocês comeram, e o dinheiro que lhes dei para as vossas famílias — por isso nem pensem em sair daqui.»

Ronaldo estava num beco sem saída. Como os outros trabalhadores, descobriu que não podia partir do acampamento e não podia dizer nada sobre o trabalho que lhe davam para fazer. Ao fim de dois meses, quando os trabalhadores perguntaram sobre a ida a casa para uma visita, disseram-lhes que ainda estavam demasiado endividados para que os deixassem partir.
Uma mãe de três filhos que mais tarde fugiu do trabalho forçado, explicou: «Quando as coisas estão mal aqui [nas favelas], é como se os gatos adivinhassem que as pessoas estão num tal aperto, e então chegam e enganam os pobres… Vêm com as suas bonitas palavras e prometem o braço, mas quando lá chegamos eles não nos dão nem a pontinha do dedo.» (A mulher citada foi entrevistada por Alison Sutton no Piauí, em Abril de 1992; ver Sutton, Slavery in Brazil, p. 34.)

Quando os trabalhadores iniciam a viagem, os gatos pedem-lhes dois documentos: o bilhete de identidade e a carteira de «trabalho». Estes são essenciais à vida no Brasil. O bilhete de identidade é essencial para qualquer relação com a polícia ou com o governo e prova da cidadania; a carteira de trabalho é a chave para o emprego legal. Ao assinar o verso da carteira de trabalho de uma pessoa, um patrão cria um contrato vinculativo e coloca o emprego sob as leis do trabalho do governo, como as regras do salário mínimo. Sem uma carteira de trabalho, os trabalhadores têm dificuldade em obter os seus direitos. Os gatos dizem que precisam dos documentos para actualizar os seus registos, mas na realidade essa pode ser a última vez que os trabalhadores os vêem. Conservando esses documentos, adquirem um domínio poderoso sobre os trabalhadores. Por muito má que seja a sua situação, os trabalhadores hesitam em partir sem os seus documentos. Entretanto, visto que as carteiras de trabalho não foram assinadas, não há prova de emprego e pouca protecção legal. Como afirmou um investigador brasileiro: «A partir desse momento, o trabalhador está morto como cidadão, e nasce como escravo.» (José de Souza Martins, «Escravidão Hoje no Brasil», Folha de São Paulo, 13 de Maio de 1986, p. 7.)

Para os gatos, o seu método de recrutamento a longa distância tem grandes vantagens. Levados para longe das suas casas, os trabalhadores desconhecem os campos em redor e estão separados dos seus amigos ou da família que os poderiam ajudar. Mesmo que consigam fugir, não têm dinheiro e estão endividados. Não têm como pagar a viagem de regresso ao seu próprio estado. Muitas vezes continuam a trabalhar nas mais horríveis condições, na esperança de obter algum dinheiro que lhes permita chegar a casa. E se fogem dos campos de carvão, as gentes locais muitas vezes sentem-nos como estranhos e receiam-nos. Sem bilhete de identidade, podem ser presos pela polícia como vadios ou suspeitos como criminosos. Sem as carteiras de trabalho não podem trabalhar; mais do que isso, continuam sem ser registados no seu novo local de trabalho e os inspectores de trabalho governamentais e os organizadores dos sindicatos não sabem que eles existem.

Nos campos do carvão, os trabalhadores estão isolados, como as jovens brutalizadas e retidas nos bordéis na Tailândia: podemos ver no Brasil outro exemplo do método de escravização de «campo de concentração». O campo de carvão é o seu próprio mundo. O gato e os seus capangas têm um controlo absoluto e podem usar a violência à sua vontade. O que eles querem é trabalhadores que tenham desistido, que façam tudo o que lhes peçam. Ao mesmo tempo, querem que os seus cativos trabalhem duramente, de modo que lhes prometem constantemente o pagamento e mais comida e melhor tratamento. Equilibrando a esperança e o terror, eles encerram os seus novos escravos no trabalho. Como as jovens forçadas à prostituição, os trabalhadores do carvão não são escravizados para toda a vida; na verdade, a sua permanência nos campos é em geral mais curta do que a das mulheres nos bordéis da Tailândia. Os gatos e os seus patrões não querem possuir aqueles trabalhadores, mas apenas espremer deles o máximo trabalho possível. Os trabalhadores com quem falei foram mantidos em servidão por dívida entre três meses e dois anos, mas raramente mais do que isso. Havia várias razões para a brevidade do seu emprego. Um campo de carvão dura apenas dois ou três anos em qualquer local até à exaustão das florestas em redor, e os trabalhadores raramente são transferidos de um campo para outro. E os trabalhadores adoecem e ficam exaustos ao fim de alguns meses de trabalho nos fornos. Em vez de continuar a manter aqueles que já não trabalham em pleno, é mais eficaz, do ponto de vista dos custos, desfazer-se deles e recrutar outros para os substituir. Visto que em geral não têm dinheiro quando são despedidos dos campos, muitos dos trabalhadores nunca conseguem voltar a suas casas em Minas Gerais. As mais das vezes deambulam pelas cidades de Mato Grosso, e muitos são enviados outra vez para os campos de carvão (chamados baterias).

Um campo de carvão é chamado bateria porque tem uma bateria de fornos. A bateria pode ter desde vinte até mais de cem fornos, com entre oito e quarenta trabalhadores. O calor, o fumo, e a desolação da bateria faz com que aquilo pareça um pedaço do inferno trazido para a floresta. Os fornos de carvão são construções redondas de tijolo e barro com cerca de dois metros de altura e três de largo. São construídos em longas filas direitas, com vinte ou trinta fornos separados por cerca de um metro uns dos outros. Uma pequena abertura no forno com cerca de um metro de altura é a única entrada. Através dessa porta enchem o forno completamente de lenha. A lenha tem de ser empilhada desde o chão até ao tecto arredondado do forno, com muito cuidado e muito apertada, para que arda adequadamente e se transforme em carvão. Depois de empilhada a lenha, a porta é selada com tijolos e barro e acende-se o fogo. O carvão faz-se queimando a lenha com um mínimo de oxigénio. Se entra demasiado ar no forno, a lenha é consumida pelo fogo e só ficam cinzas. Se não houver ar suficiente dentro do forno, produzem-se apenas pedaços de madeira meio queimados e inúteis. Para controlar a entrada de ar, abrem-se e fecham-se pequenos buracos de ventilação nos lados do forno, destapando-os ou tapando-os com barro. A queima dura cerca de dois dias e os trabalhadores têm de vigiar constantemente o forno, dia e noite, para verificar se ele está a arder à temperatura devida. Terminada a queima, deixa-se o forno arrefecer; depois retira-se o carvão.

A toda a volta do campo, numa extensão de uma milha, a terra foi desnudada e rasgada. A terra está vermelha e degradada. Os tocos das árvores, as grandes manchas de ervas e de lenha queimada, as valas e buracos e a omnipresente nuvem de fumo transformam-no num campo de batalha. A destruição da floresta é visível por todo o lado. Cobertos de fuligem negra e cinzas e luzidios do suor, os trabalhadores movem-se como fantasmas para dentro e para fora do fumo à volta dos fornos. Todos os trabalhadores que vi eram apenas músculo, osso e cicatrizes; toda a gordura tinha sido queimada pelo calor e pelo esforço. O fumo esmagador e sufocante dá a cor e o sabor a tudo. O fumo do eucalipto, carregado dos óleos ácidos que a árvore produz, é cáustico e arde nos olhos, no nariz e na garganta. Todos os trabalhadores do carvão tossem constantemente, cuspindo e tentando limpar os pulmões sempre cheios de fumo, de cinza, de calor e de pó de carvão. Se viverem o bastante, sofrerão de doenças pulmonares.

A maioria dos fornos vertem e cospem fumo, e o calor é tremendo. Mal entramos na bateria somos dominados pelo calor. Esta parte do Brasil já é quente e húmida; retire-se qualquer protecção que as árvores poderiam oferecer contra o sol e acrescente-se o calor de trinta fomos, e o resultado é um inferno de assar. Para os trabalhadores que têm de entrar nos fornos ainda escaldantes e retirar o carvão o calor é inimaginável. Quando entrei num forno com um homem que retirava o carvão com uma pá, a pressão do calor deixou-me a cabeça à roda em minutos, o suor encharcou-me as roupas, e o chão de carvões escaldantes queimava-me os pés através das grossas botas. O tecto pontiagudo concentrava o calor e passados momentos eu estava aturdido, em pânico e mole. Os trabalhadores estão permanentemente à beira da insolação e da desidratação. Por vezes as suas conversas eram confusas, como se tivessem o cérebro cozido. Os trabalhadores que esvaziam os fornos permanecem quase nus, mas isso expõe a sua pele às queimaduras. Por vezes de pé em cima das pilhas de carvão, eles tropeçam ou o carvão cede e caem no meio dos carvões incandescentes. Todos os trabalhadores do carvão que conheci tinham as mãos, os braços, as pernas cobertos de feias cicatrizes de queimaduras, algumas ainda inchadas e purulentas.

Diante dos fornos há grandes pilhas de lenha cortada com um metro e vinte de comprimento, preparada para encher o forno. Por trás dos fornos há montes de carvão à espera de ser ensacado e transportado para as siderurgias. A fila de fornos é o último passo na destruição das florestas, que desaparecem num círculo cada vez mais largo à volta da bateria. No extremo dos campos arruinados à volta dos fornos, os trabalhadores queimam as plantas rasteiras e derrubam mais árvores, empurrando a orla da floresta cada vez para mais longe. Arrastada para os fornos por tractores, a lenha cortada em breve será transformada em carvão.

Retirado de http://exploracaodohomem.wordpress.com/2007/09/26/a-nova-escravatura-iii-brasil-ii-%c2%abeles-chegam-com-as-suas-belas-palavras%c2%bb/