Tolerância

O sentido literal de tolerância é “suportar em silêncio”. A palavra possui, no entanto, outros sentidos, que passo a enumerar:

a) Enfrentar o contraditório. Testar os limites daquilo em que acredito ou penso acreditar. Ter consciência da minha própria sombra, que  tantas vezes vejo refletida nas palavras e nos atos dos outros. Continuar a ler

Emprego e desemprego no tempo do medo

O direito laboral está a reduzir-se ao direito de trabalhar pelo que quiserem pagar e nas condições que quiserem impor. Não existe no mundo mercadoria mais barata do que a mão de obra. Enquanto caem os salários e aumentam os horários, o mercado laboral vomita gente. É pegar ou largar, que a fila é comprida.  Continuar a ler

Novos destinos – o mesmo drama

Enquanto a União Europeia fecha as portas à emigração africana, uma nova vaga tenta a sua sorte na América Latina. Africanos podem levar mais de 30 difíceis dias a atravessar o Atlântico para chegar ao Brasil, Argentina ou México. Nos últimos dois anos, os números da imigração duplicaram, assim como os pedidos de estatuto de refugiado.

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As Crianças Lambem o Prato

Quer se trate de populações cujo fraco poder de compra não lhes permite o acesso aos víveres vendidos no mercado ou pessoas cujo estatuto social as torna desprezadas pelas sociedades em que estão inseridas, um elevado número de seres humanos está votado à eliminação ao longo dos próximos anos. Mas ninguém reconhecerá abertamente que “programou” a eliminação pela fome, pelo massacre ou pela deportação daqueles que os incomodam.  Continuar a ler

A televisão e o coração do homem

Aqui é de televisão que se fala.

É de televisão que venho falando há mais de trinta anos. Porquê? Digamos que por amor. Não encontro melhor explicação, dado que só ele justifica a entrega de corpo e alma. A televisão é um dos grandes milagres do nosso tempo. Só para conhecê-la já valeu a pena ter vivido. Infelizmente, nem sempre tem sido usada da melhor forma, e isso me motivou para o combate.

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A Globalização da Pobreza

• Desde o início dos anos 80 que os programas de “estabilização macroeconómica” e de “ajustamento estrutural” impostos pelo FMI e pelo Banco Mundial a países em vias de desenvolvimento (como condição para a renegociação da sua dívida externa) têm conduzido ao empobrecimento de centenas de milhões de pessoas. Ao contrário do espírito do acordo de Bretton Woods, que assentava na “reconstrução económica” e na estabilidade das principais taxas de câmbio, o programa de ajustamento estrutural tem contribuído em larga medida para a desestabilização das divisas nacionais e a ruína das economias dos países em vias de desenvolvimento. Continuar a ler