Podes?

 

balança poluição planeta m

Podes vender-me o ar que passa entre os teus dedos
E golpeia o teu rosto e desalinha os teus cabelos?
Talvez possas vender-me cinco moedas de vento?
Ou mais, talvez uma tormenta?
Acaso me venderias ar fino – não todo –
O ar que percorre o teu jardim de flor em flor
E sustenta o voo dos pássaros?
Dez moedas de ar fino, vender-me-ias?

Continuar a ler

Anúncios

A História como Destino

Há uma velha ideia dos povos que liga as catástrofes naturais aos fe­nómenos da cultura, que parece agora reactivar-se, com o que está a acontecer à nossa natureza. Os fogos des­te Verão, do Brasil à Rússia, as inundações, da Europa ao Paquistão e à China, fizeram surgir, com mais força do que nunca, a certeza da globalização das alterações cli­máticas. E, confusamente, associa-se essa ideia à da crise financeira global; enquanto as proporções dos desastres ecológicos de origem humana (como o derrame de crude no Golfo do México) atingem uma escala planetária, reforçando a crença numa relação negativa entre natureza e cultura. Não uma relação de causa e efeito (como, na Idade Média, entre o pecado e uma epidemia, por exemplo), mas um sintoma do catastrofismo inerente à marcha da História. Como se o pensamento do futuro próximo se traduzisse pela convicção de que «tudo irá cada vez pior».

Continuar a ler