Uma casa

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Na pedra das janelas de grandes vidros foram pousadas jarras com tulipas ardentes, cor de fogo, púrpura e amarelo. O sol entra pela manhã, muito cedo, e derrama-se pelo chão de madeira cor de mel. Àquela hora, tudo fica quente e silencioso, quase secreto. Continuar a ler

A arte de ser feliz

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Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz. Continuar a ler

Doçura

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Anita vende a doçura em frascos.

Enche-os de compota de fruta, tapa-os e cola-lhes uma etiqueta, mas, em vez de escrever compota disto ou compota daquilo, de mirtilos ou de pêssego, de marmelo ou de morango, arredonda a letra e escreve apenas Doçura. Senta-se no passeio com os frascos defronte, expostos no asfalto, junto aos pés, e não lhe faltam clientes. A compota vende-se muito bem e ninguém regressa para reclamar: quem compra julga que a doçura está toda nos olhos de Anita. Continuar a ler

Eu sei, mas não devia

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Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. Continuar a ler