Simbo e o Rei Falador

Era uma vez um lindo camaleão que vivia numa ilha do Pacífico.

A pele do animal mudava de cor conforme o lugar onde se encontrasse: no alto de um ramo ficava castanho; se descansava entre as folhas de uma árvore, fazia-se verde; se quisesse caçar e subisse para cima de uma pedra, tornava-se da cor da pedra…

E assim podia enganar os insetos que pousavam à sua beira e eram comidos.

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O menino que cresceu no jardim

Era nisso que o menino acreditava: se as flores crescem assim, por que razão não crescerei eu, também, com a ajuda da água? E o jardineiro lá lhe fazia a vontade: regava-o, com delicadeza, como regava as suas mais belas plantas.

Devido a esta mistura com o jardim ou talvez por causa de qualquer outra razão misteriosa este menino cheirava tão bem que as abelhas não o largavam. Porém, rodeavam-no com modos pacíficos. Que simpáticas eram as abelhas! Como se fossem animais domésticos, amestrados. As minhas abelhas, dizia o menino.

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A árvore dos lamentos

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Numa pequena aldeia da Polónia vivia um rabino dotado de grande sabedoria. Os seus seguidores gostavam muito dele e vinham contar-lhe os seus desgostos com frequência. Passado algum tempo, o rabino cansou-se de ouvir as pessoas dizerem que os seus infortúnios eram maiores do que os dos seus vizinhos. Estavam sempre a fazer perguntas do género “Por que não sofre ele como eu sofro?”;“ Por que não tem ela um marido enervante como o meu?”; “Por que não tem ele uma mulher preguiçosa como a minha?”; “ Por que não tem ela dores de costas?”; “ Por que não vivem os filhos dele em casa sem contribuírem para as despesas como os meus fazem?”
Os queixumes continuaram de tal forma que o rabino teve uma ideia e anunciou a todos que iria ser celebrado um novo feriado. Continuar a ler

A Viagem

 

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A estação era fria. As pessoas caminhavam lentamente, arrastando pesadas malas. Num repente, comecei a ouvir alaridos de espanto. Uma velha vestida de branco, havia subido à torre do relógio e sem que ninguém soubesse como, sentou-se no ponteiro das horas. Os viajantes, aos poucos, foram abandonando a bagagem, concentrando-se por baixo da torre. Tentavam convencê-la a que descesse e ela recusava, dizendo não ser ainda a hora.

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Os ratinhos da Ópera

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Era uma vez uma família de ratinhos que vivia num sótão, em Paris. Podia ser num outro sótão qualquer, mas não: era no da Ópera! Os ratos, segundo dizem, são extremamente inteligentes, mas não se disse ainda até que ponto têm ouvido musical. Estes ratinhos tinham escolhido aquela residência porque podiam ouvir música por uma boca de ventilação. Como se sentiam felizes a ouvir as suas melodias preferidas, de mãos erguidas como se estivessem a rezar! O pai, a mãe, os avós e as duas meninas… Continuar a ler

Pauzinhos de marfim

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Na China antiga, um jovem príncipe resolveu mandar fazer, de um pedaço de marfim muito valioso, um par de pauzinhos. Quando isto chegou ao conhecimento do rei seu pai, que era um homem muito sensato, este foi ter com ele e explicou-lhe:

Não deves fazer isso, porque esse luxuoso par de pauzinhos pode levar-te à perdição! Continuar a ler

A Terra do Nunca

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A última parte das suas vidas passaram-na numa rua sem saída. Tinham trabalhado para conseguir a sua casa, sonhado com ela uma vida inteira, poupado para ela uma vida inteira. Era pequena, acanhada e mal dividida. Os condutores que entravam no minúsculo jardim da frente só conseguiam sair de marcha-atrás e com dificuldade. Era a última casa do lado direito, no final do beco estreito. Continuar a ler

As folhas da tília

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Quero explicar-vos, amigos, por que motivo escrevo contos. Até há muito pouco tempo não me apercebera da magia que ficou presa às minhas mãos quando, em menina, brincava com as folhas da tília. Não podia guardar por mais tempo este maravilhoso segredo e por isso aqui deixo a minha história. Continuar a ler

O génio do riquexó

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Chen era dono de muito pouco.

O riquexó de palhinha era a sua verdadeira riqueza pois, devido a ele, podia comprar uma tigela de arroz e, às vezes, conserva de carne com gengibre. Tinha ainda um grande chapéu que servia também de guarda-chuva. E, por último, dispunha de uma cabana de bambu, no alto de uma colina, com vistas para a baía de Hong-Kong.

Uma cabana, é exagero. A casa de Chen resumia-se a três tábuas e a um montão de folhas. Estava encostada ao muro de suporte de uma bela propriedade. Dele saíam ramos de jasmim que, no tempo da floração, ofereciam a Chen uma sombra perfumada. Continuar a ler