A árvore do dinheiro

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Em janeiro, quando a Menina McGillicuddy estava a fazer uma colcha em frente da lareira, reparou numa forma invulgar do lado de fora da janela da sua sala de estar. 

Em fevereiro, quando a Menina McGillicuddy levantou os olhos do seu livro, percebeu que a forma era uma pequena árvore. “Uma dádiva dos passarinhos,” disse para consigo mesma.

Em março, quando a Menina McGillicuddy pôs a voar o seu papagaio de papel favorito, a cauda deste ficou presa num ramo da nova árvore. “Mas que forma estranha,” pensou, enquanto a puxava com algum esforço. 

Em abril, quando a Menina McGillicuddy estava a plantar ervilhas de quebrar, fez uma pausa e pôs-se a olhar para a árvore, agora toda coberta de frescas e verdejantes cores primaveris. “Que estranho,” cismou ela, “ter crescido tanto em tão pouco tempo.”

Em maio, enquanto a Menina McGillicuddy estava a fazer um mastro enfeitado para as crianças da vizinhança, apercebeu-se, para sua grande surpresa, que as folhas da árvore eram notas de banco! Com cuidado, para não ferir os raminhos tenros, ela deu a cada criança, como brinde da festa, algumas das folhas verdes e viçosas da árvore…

Em junho, enquanto a Menina McGillicuddy estava a fazer um ramo de rosas, os pais das crianças da vizinhança apareceram no quintal. Quando disseram que tinham vindo ver a estranha árvore, deixou que levassem com eles para casa alguns galhos…

Em julho, quando a Menina McGillicuddy estava a apanhar cerejas no seu pomar, as entidades oficiais da cidade perguntaram se podiam usar uma parte da folhagem para uns projetos especiais. Deixou-os usar o seu escadote – a árvore estava a crescer a olhos vistos de dia para dia – e foi para dentro de casa fazer tarte de cerejas.

Em agosto, quando a Menina McGillicuddy estava a chegar a casa, apercebeu-se que a maioria das pessoas que se afastavam da árvore, transportando sacos e cestas, lhe eram completamente estranhas! “Não faz mal,” pensou, “os ramos iam acabar por partir com o peso se não houvesse alguém a apanhar os frutos a toda a hora.”

Em setembro, enquanto a Menina McGillicuddy estava a dar de comer aos animais, pôde observar a multidão em volta da árvore, andando de um lado para o outro, à luz da lua das colheitas. “Será que nunca descansam?” perguntou-se.

Em outubro, quando a Menina McGillicuddy estava a talhar caras nas suas abóboras, deu-se conta que as folhas da árvore estavam a ficar amarelas e castanhas. E suspirou de alívio.

Em novembro, quando chegou a primeira tempestade de inverno, a Menina McGillicuddy viu alguns estranhos decididos a escavar na neve debaixo da árvore.

Em dezembro, a Menina McGillicuddy e os rapazes da vizinhança cortaram a árvore. Embora a madeira ainda estivesse verde e fosse largar um pouco de fumo, ela não se importou, pois agora tinha o suficiente para se manter quentinha durante o inverno mais gelado.

A Menina McGillicuddy deu a cada um dos rapazes um pão caseiro, um frasco de compota de morangos, e um raminho de flores secas. Depois, despediu-se deles, caminhou em direção ao calor da lareira, e sorriu…

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Sarah Stewart
The Money Tree
New York, Sunburst Edition, 1994
(Tradução e adaptação)

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