A felicidade está nas pequenas coisas

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Desfruta das pequenas coisas.
Um dia podem tornar-se as maiores da tua vida.

Robert Brault

Era um daqueles dias de múltiplos afazeres e eu já estava atrasada nas tarefas de casa.
Há séculos que não ia ao supermercado e faltava quase tudo na despensa. A roupa para lavar empilhava-se, cada vez mais, no cesto, e a casa tinha ultrapassado os meus, bastante flexíveis, padrões de limpeza. Como se isto não bastasse, tinha de entregar dois artigos e precisava, por isso, de passar algum tempo diante do computador.
Os meus quatro filhos não tinham aulas naquele dia. Encantados por estar em casa, perguntavam-me, constantemente, o que iríamos fazer. Mas eu sabia que os meus planos os iam desapontar. Nenhum deles era divertido e especial.
Quando acordaram, deram-se conta de que não tinham as taças de cereais prontas, porque não havia leite. Só cereais secos… e eles não gostavam muito… Também não havia ovos ou pão, o que reduzia em muito as opções do pequeno-almoço. Bem procurei no congelador uma embalagem de waffles congeladas, mas não tive sorte. Acabei por encontrar um pacote de bolachas de manteiga. Reguei-as com açúcar e canela, pu-las no forno, e dei-as aos miúdos.
— Lamento não poder oferecer-vos algo de melhor, mas não tenho tempo para ir às compras.
Nem sequer responderam, demasiado ocupados que estavam a enfiar os rolinhos de canela improvisados na boca.
Depois do pequeno-almoço, pus uma máquina de roupa a lavar e sentei-me ao computador. A minha filha mais nova, Julia, veio ter comigo com uma cara de quem está prestes a chorar.
— Ó mãe, nós achávamos que hoje nos íamos divertir. É o nosso dia de folga!
— Sei que é o vosso dia de folga, mas não é o meu — respondi. — Tenho trabalho para fazer.
— Não podes brincar comigo aos cabeleireiros? — pediu.
Suspirei. Não tinha tempo para brincar, porque tinha trabalho urgente para fazer.
Foi então que tive uma ideia:
— E se brincássemos enquanto eu trabalho? — propus-lhe.
E foi assim que escrevi um artigo, enquanto ela me pintava as unhas dos pés.
O meu filho mais velho, Austin, ofereceu-se para fazer o almoço para eu poder continuar a trabalhar. Os mais novos ficaram encantados com as escolhas dele. Não que fossem dignas da pirâmide alimentar, mas eles gostaram e pude, assim, acabar o meu segundo artigo.

Pouco antes do almoço, fomos todos ao supermercado. O Austin empurrou o carro, enquanto os irmãos pegavam em cupões espalhados pela loja. Consegui comprar o que queria, mais alguns produtos extra selecionados pelos meus acompanhantes.
De volta a casa, os miúdos resolveram “brincar aos supermercados” com os cupões que tinham arranjado. Alinharam as latas nos balcões da cozinha e as refeições ligeiras na ilha central, e fingiram que estavam a vender o que tínhamos comprado.
Durante o resto da tarde, limpei a casa, dobrei a roupa, e comecei a fazer o jantar.
Os miúdos só interromperam o jogo com a chegada do pai.
Quando o meu marido, Eric, me viu, perguntou, com um sorriso rasgado:
— Então, que tal a folga de hoje?
Quando comecei a dizer que não tínhamos feito nada de especial, a Julia interrompeu-me:
— Pai, viste as unhas da mãe? Ela deixou-me sentar debaixo da mesa do computador e eu pintei-as enquanto ela escrevia. Foi tão divertido!
O Austin continuou:
— Hoje comemos o melhor pequeno-almoço de sempre! Já fizeste aquelas bolachas para o pai? Eram fantásticas!
O Eric olhou para mim, com um ar interrogador. Encolhi os ombros. Os meus filhos do meio, o Jordan e a Lea, revezaram-se a dizer ao pai que tinham jogado com os cupões e que o Austin tinha feito um almoço especial.
— Foi um dia ótimo, pai! Foi espetacular!

Olhei para as caras deles, cheias de entusiasmo. Entusiasmo com um pequeno-almoço a fingir, um almoço improvisado, cupões de um supermercado, e umas unhas pintadas.
— Tiveram mesmo um dia bom? Não ficaram desapontados por não termos feito algo de especial?
O Austin encolheu os ombros e disse:
— A vida é tão divertida quanto a fizermos!

Concordei com um aceno. A felicidade está mais na atitude do que nas circunstâncias. Abracei os meus filhos e agradeci-lhes por me lembrarem que devia procurar a felicidade nas pequenas coisas. A Julia sorriu e disse:
— São as pequenas coisas que nos fazem mais felizes, não são, mãe?
Os meus filhos são mesmo inteligentes…

Diane Stark

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