O espelho

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Quando era pequeno, durante a guerra, éramos muito pobres e vivíamos num vilarejo distante. Certo dia, na estrada, encontrei os pedaços partidos de um espelho. Uma motocicleta alemã tinha tido um acidente naquele lugar.

Tentei encontrar todos os pedaços e juntá-los, mas não era possível. Então guardei apenas o pedaço maior, que esfreguei numa pedra, fazendo-o ficar redondo. Comecei a brincar com ele e fiquei fascinado ao descobrir que podia refletir a luz em lugares escuros, onde o sol nunca brilhava: em buracos profundos, fendas e armários. Aquilo tornou-se um jogo para mim, levar luz aos lugares mais inacessíveis que conseguia encontrar.

Guardei o espelhinho e, à medida que ia crescendo, tirava-o do bolso nos momentos que tinha livres e continuava com o desafio do jogo. Quando me tornei adulto, comecei a entender que aquilo não era só uma brincadeira de criança, mas uma metáfora do que eu poderia fazer com a minha vida. Acabei por perceber que não era a luz ou a fonte da luz. A luz – a verdade, a compreensão, o conhecimento – estava ali e iria iluminar muitos lugares se eu a refletisse.

Sou apenas o fragmento de um espelho do qual não conheço a forma nem a finalidade. Mesmo assim, com o que tenho, posso refletir a luz nos lugares escuros deste mundo, sobretudo nos corações dos seres humanos, e posso mudar algumas coisas em certas pessoas. Talvez outros me vejam fazer isso e façam o mesmo. É para isso que vivo. É este o significado da minha vida.

 Robert Fulghum

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