Gratidão: Uma Atitude de Cura

 

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Devo sentir gratidão pela minha vida, ou estou enganado? Devo ver o copo meio-vazio ou meio-cheio?

Posso queixar-me por as roseiras terem espinhos, ou posso estar grato por alguns arbustos espinhosos darem rosas. A nível intelectual, as duas atitudes são equivalentes. Mas, na vida real, faz uma enorme diferença escolhermos uma ou outra.

Quando a imagem que temos de nós próprios em relação ao mundo é a de vítimas, o sentimento de impotência que daí resulta é transmitido a todo o nosso sistema orgânico.

Qualquer emoção cria um estado químico interno correspondente, com as suas consequências no campo da saúde.

A importância da gratidão é notoriamente clara de um ponto de vista psicofisiológico – as pessoas gratas curam-se mais depressa; são capazes de eliminar comportamentos nocivos das suas vidas com maior facilidade; são mais felizes.

O modo como vemos o mundo molda as nossas respostas aos desafios que a vida nos apresenta. O sentido de gratidão dá-nos poder para escolhermos com sensatez… a forma como nos sentimos, o que dizemos, aquilo em que acreditamos, o que fazemos.

Que absurdo da nossa parte, nós, americanos, que somos mais ricos e consumimos dez vezes mais os recursos do planeta do que 95 por cento da população mundial, que, em média, vivemos mais vinte e cinco anos do que os nossos bisavós, que nos deleitamos com a nossa liberdade pessoal e potencial, concentrarmo-nos no «copo meio-vazio»!

A gratidão ajuda-nos a ver o que está disponível, o que pode desenvolver-se. Afinal, não há nada com que trabalharmos na parte vazia do copo.

Círculo Vicioso, Círculo Virtuoso

Sem a atitude de gratidão, o que se sente é, quase sempre, um sentimento de insatisfação. Os fumadores, alcoólicos e toxicodependentes, por exemplo, cuja qualidade de vida se deteriora continuamente, são incapazes de pôr em prática as escolhas aparentemente simples que dizem e verdadeiramente acreditam que querem fazer. Essas pessoas encontram-se num estado involuntário de negação – uma negação da riqueza que possuem dentro delas.

A tomada de consciência da riqueza do seu Ser Interior ajudá-las-ia a ultrapassar as suas compulsões. Sem a perceção de quem realmente somos, é difícil discernirmos o verdadeiro valor de algo que tenha lugar na nossa vida, a não ser ao nível direto e transitório da satisfação imediata.

Quando nos sentimos gratos, interagimos com outras pessoas a partir da nossa plenitude; elas sentem-se reconhecidas e são atraídas pela nossa energia. O ressentimento, a amargura e a vitimização tendem a repelir as pessoas, e nós passamos a ter menos apoio dos outros. De um modo semelhante, quando a nossa falta de gratidão leva à impotência e à doença, sentimo-nos «enganados» por a nossa saúde estar a decair, enquanto vemos que outros se sentem bem.

Gratidão Aprendida

No campo da neuro-imunologia, temos agora a certeza de que as emoções, as convicções e as interpretações (o nosso mapa do mundo) têm um efeito profundo no funcionamento do corpo, incluindo a possibilidade de ficarmos doentes ou de resistirmos à doença.

Quaisquer que sejam os desafios ou crises na nossa vida, se nos sentirmos impotentes em relação a estes, temos muito mais probabilidades de ficar doentes.

Em minha opinião, o estado de espírito a que chamamos gratidão não é inato, mas sim algo que temos de aprender. A gratidão tem a ver com um sentimento de realização e de adequação. Sem gratidão, a tendência é sentirmo-nos incompletos, enganados, deficitários.

Se não teve a oportunidade de aprender em criança a atitude da gratidão, pode sentir-se, de tempos a tempos, vulnerável, ressentido, injustiçado. Isso ainda acontece comigo, por vezes, e quando acontece, recordo-me simplesmente das razões para fazer as coisas que faço, a minha missão e visão pessoal da vida, e procuro sentir gratidão.

Pode demorar um pouco, mas com força de vontade e concentração interior, a minha atitude acaba sempre por se alterar. Afinal, tal como você, «Eu sou o que penso».

Emmett E. Miller

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