Não há estranhos para mim

Há muito, muito tempo, quando eu era criança, o meu avô levou-me a visitar o seu pomar.
― É o último bocadinho de terra que possuo, desde que vim viver para a cidade ― disse-me, enquanto cumprimentava toda a gente.
― Avô, como fazes para conhecer tanta gente? ― perguntei-lhe, enquanto corria para o acompanhar. Ele parou para esperar por mim.
― Não os conheço pelo nome, conheço-os pelo coração. Sabes, Honey, não há estranhos para mim.
― Porquê? ― perguntei, dando-lhe a mão. Sorriu alegremente e respondeu:
― Porque eu e o meu coração somos livres. Depois de caminharmos um pouco, disse: ― Minha querida, sabias que nos tempos tristes da escravatura eu costumava andar com sementes de macieira no bolso, e acreditava que, quando fosse livre, haveria de as plantar no meu próprio pedacinho de terra?

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