Força – conto da África Ocidental

Força

(conto da África Ocidental)

Os animais decidiram fazer um concurso para ver qual deles era o mais forte. A ideia do concurso foi do Elefante.

— Encontramo-nos todos na quarta-feira. Veremos quem tem FORÇA.

O primeiro a chegar foi o Chimpanzé, que chegou aos saltos.

— Força! Eu tenho força. Vejam só estes BRAÇOS! Esperem só até verem a minha força!

O Chimpanzé sentou-se. Chegou o Veado.

— Força! Olhem para estas PERNAS! Tenho tanta força!

O Veado sentou-se. A seguir veio o Leopardo. Mostrava as garras e rugia.

— Força! Olhem para estas GARRAS! Eu tenho força!

O Leopardo sentou-se. Depois veio o Bode, que baixou os seus chifres fortes.

— Força! Vejam estes CHIFRES! Isto é força.

O Bode sentou-se. Chegou o Elefante. Caminhava muito devagar.

— El…e…fante…significa força.

O Elefante sentou-se. Esperaram e voltaram a esperar. Faltava mais um animal. Finalmente o Homem chegou, a correr.

— Força! Força!

O Homem exibia os seus músculos.

— Eis-me aqui! Podemos começar!

O Homem tinha trazido a sua espingarda para a floresta e tinha-a escondido nos arbustos. Era por isso que estava atrasado. O Elefante encarregou-se de dar início ao concurso.

— Agora que o Homem chegou, podemos começar. Chimpanzé, mostra-nos a tua força!

O Chimpanzé deu um pulo. Correu para uma pequena árvore e trepou-a. Dobrou-a e deu-lhe um nó. Desceu da árvore e disse:

— Então? Isto não é força?

Os animais exultaram.

— Força! Força! Força! Força! Isso é que é força!

Depois acalmaram.

— Bem…Chimpanzé. Senta-te. O próximo!

O Veado pôs-se de pé com um salto. Correu três quilómetros em direcção à floresta. Correu outros três quilómetros de volta. Nem sequer estava ofegante. Vangloriou-se:

— Vejam só! Se isto não é força…

Os animais concordaram.

— Força! Força! Força! Força! Isso é que é força!

— Bem…Veado. Senta-te. O próximo!

O Leopardo pôs-se de pé e esticou as garras enormes. Começou a esgravatar a terra. Scrung…scrung…scrung…scrung… Como o pó voava! Os animais saltaram para trás. Estavam assustados. O Leopardo perguntou:

— Aaaah! Isto é força ou não é?

— Força! Força! Força! Força! Isso é que é força!

— Bem… Leopardo. Senta-te. O próximo!

O Bode era o seguinte. Baixou os chifres enormes. Havia por ali um campo de canas e o Bode começou a escavar o campo. Shuuu…shuuu…shuuu…shuuu… Os chifres fizeram uma estrada através do campo. O Bode voltou-se. E escavou outra estrada até ao lugar onde estavam os animais. Depois perguntou:

— Não é força, isto?

Os animais ficaram impressionados.

— Força! Força! Força! Força! Isso é que é força!

— Bem… Bode. Senta-te. A seguir?

A seguir vinha o Elefante. Havia muitas árvores em redor que cresciam bem juntas. O Elefante encostou o seu ombro enorme de encontro às árvores. E eennhh…eeennhh… eeennhh…kangplong! As árvores caíram todas. O Elefante exclamou:

— Que tal? Isto não é força?

Os animais ficaram impressionados.

— Força! Força! Força! Força! Isso é que é força!

— Bem… Elefante. Senta-te. O próximo!

Era a vez do Homem. O Homem correu para o meio do círculo. Começou a rodopiar. Deu saltos mortais. Fez a roda. Fez o pino. Volteou em redor deles sem cessar. Depois parou e perguntou:

— Força! Força! Isto não é força?

Os animais entreolharam-se.

— Bem… foi excitante.

— Mas era força, aquilo?

— Nem por isso…

— Só sabes fazer isso?

O Homem sentiu-se insultado.

— Muito bem, então vejam isto!

O Homem subiu a uma palmeira. Tão depressa! Tão depressa! Atirou cocos da palmeira. Desceu da árvore. Perguntou de novo:

— Força! Força! Isto não é força?

Os animais olharam para ele.

— Chamarias àquilo força?

— Só subiu a uma árvore.

— Isso não é bem força.

— Há mais alguma coisa…?

O Homem estava zangado.

— Força? Eu mostro-vos o que é FORÇA!

O Homem correu para o arbusto. Agarrou na arma. Correu de novo para junto deles. O Homem apontou a arma ao Elefante. Ting… Puxou o gatilho. Kangalang! O Elefante tombou. Estava morto. Morto. O Homem dava pulos e gabava-se:

— Força! Força! Isto não é FORÇA?

O Homem olhou em redor. Os animais tinham ido embora. Tinham fugido para a floresta.

— Força!…

Não havia ninguém para o ouvir gabar-se. O Homem estava sozinho. Na floresta, os animais juntaram-se a um canto para trocar impressões.

— Viste aquilo?

— Era força aquilo?

— Chamarias àquilo força?

— Não. Aquilo era MORTE.

— Aquilo era MORTE.

A partir desse dia, os animais não voltaram a caminhar com o Homem. Quando o Homem entra na floresta, tem de caminhar sozinho. Os animais ainda falam do Homem… Da criatura Homem… O Homem é aquele que não conhece a diferença entre força e morte.

Margaret Read MacDonald
Peace Tales
Arkansas, August House Publishers, Inc., 2005

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