Tanto, Tanto! – Trish Cooke

Trish Cooke
Tanto, Tanto!
Lisboa, Ana Paula Faria – Editora, 2006

 

Estavam ali os dois, sem fazer nada,
a mamã e o bebé,
sem fazerem mesmo nada…

 

Quando, de repente…
TRRIM, TRRIM!
“Olá! Olá!”

 

A mamã olhou para a porta,
o bebé olhou para a mamã.
Era a…

 

Tia, a tia Biba!
Com os braços muito, muito abertos
e um sorriso muito, muito grande, disse:

 

“Ai, que bebé tão gostosol
Eu quero abraçá-lo,
eu quero abraçar este bebé,
eu quero abraçá-lo
Tanto, tanto !”

 

E ela sentou o bebé
nos joelhos
para brincar ao cavalinho;
– balancé; balancé; dá cá este pé -,
e depois contou-lhe um conto.
“Ai que bom, ai que bom que é!”

 

Estavam ali os três, sem fazer nada,
a mamã, o bebé e a tia Biba,
sem fazerem mesmo nada…

 

Quando, de repente…
TRRIM! TRRIM!
“Olá! Olá!”

 

A mamã olhou para a porta,
a tia Biba olhou para o bebé,
o bebé olhou para a mamã.
Era o…

 

Tio, o tio Didi!
O tio Didi entrou porta dentro.
Com as sobrancelhas muito arregaladas
e os lábios muito redondinhos,
como se fosse dar um beijinho, disse:

 

“Ai, que bebé tão gostoso!
Eu quero beijá-lo,
eu quero beijar este bebé,
eu quero beijá-lo
TANTO, TANTO!”

 

E, com o bebé às cavalitas,
saltou e saltou de novo, sacudindo-o
Ao dar uma viravolta,
por pouco o bebé não caiu.
“Ai, ai!”

 

Estavam ali os quatro, sem fazer nada,
a mamã e o bebé e
a tia Biba e o tio Didi,
sem fazerem mesmo nada…

 

Quando, de repente…
TRRIM! TRRIM!
“Olá, olá!”

 

A mamã olhou para a porta,
o tio Didi olhou para a tia Biba,
a tia Biba olhou para o bebé,
e o bebé para a mamã.

 

Era a…

 

Naná,
a Naná e a Vovó.
A Naná e a Vovó entraram.
Cada uma com a sua malinha,
e o seu guarda-chuva
pendurados nos braços, disseram:

 

“Ai, que bebé tão gostoso!
Eu quero apertá-lo,
eu quero apertar este bebé,
eu quero apertá-lo
TANTO, TANTO!”

 

E elas deram-lhe abraços
e muito carinho.
Fizeram-no sentir tão bem,
cantando e dançando,
que, depois de tanta alegria,
ele quase sentiu vontade de dormir.
“Chuiuuu…”

 

Estavam ali os seis, sem fazer nada,
a mamã e o bebé e a tia Biba
e o tio Didi e a Naná
e a Vovó,
sem fazerem mesmo nada…

 

Quando, de repente…
TRRIM! TRRIM!
“Ei, ’tá-se, ’tá-se!”

 

A mamã olhou para o bebé,
a Naná olhou para a Vovó,
a Vovó olhou para o tio Didi,
o tio Didi olhou para a tia Biba,
e a tia Biba para o bebé.

 

Era o…

 

Primo, o primo Cá-Cá
(e o primo Rui Grandalhão).
O primo Cá-Cá entrou
e fez rodopiar o boné,
às voltas e às voltas,
e imitou um cavalo a galope,
upa lá-lá, upa lá-lá. E disse:

 

“Ei, ’tá-se, ’tá-se!
Eu quero andar à luta com ele,
eu quero lutar com este bebé,
eu quero brincar com ele
TANTO, TANTO!”

 

E eles lutaram e andaram à bulha.
O primeiro empurrão foi do primo,
coisa que o bebé devolveu.
Ele deu um beliscão ao bebé,
o bebé deu-lhe uma valente palmada.
E, então, foi uma risada total!
“Ah! Ah! Eh! Eh!”

 

E a casa estava cheia, cheia, a transbordar.
E ali ficaram sentados…
à espera do próximo
TRRIM! TRRIM!

 

Esperaram e esperaram
mas ele nunca mais aparecia.
“Por aí, está tudo bem?”, perguntou a mãe.

 

O bebé e o primo voltaram a andar à bulha.
A Naná e a Vovó tiraram das suas malinhas
os baralhos de cartas e começaram a jogar.
O tio Didi não parava de baralhar o jogo.
A tia Biba pôs música – muito alto, mas que alto!
“Que banzé vai por aqui!”, disse a mãe.

 

Estavam ali, sem fazer nada,
a mamã e o bebé,
a tia Biba e o tio Didi,
a Naná e a Vovó,
o primo Cá-cá e o primo Rui Grandalhão,
sem fazerem mesmo nada…

 

Quando, de repente…
TRRIM! TRRIM!
“Cheguei!”, alguém disse.

 

E todos esqueceram o que estavam a fazer.
A mamã pegou no bebé ao colo
e foram todos esperar à porta…

 

“Surpresa!” disseram todos,
e a mamã acrescentou,
“PARABÉNS, PAPÁ!”
e todos se juntaram como numa roda.

 

Então o Papá acariciou a cara do bebé
e com a sua barba fez-lhe cócegas.
A mamã ia trazendo todas as coisas boas
que tinha preparado…

 

Que festa tão divertida!!

 

E quando chegou a hora de
se irem embora,
já estavam todos cansados…
Mas o bebé ainda queria brincar..
Só mais um minuto…
“Não!”, disse a mãe.
E foi pô-lo na cama,
mas…

 

…o bebé continuou a brincar.
Nem o seu ursinho o fazia esquecer
as palavras que tinha ouvido:

 

“Eu quero abraçá-lo
TANTO, TANTO!”
“Eu quero beijá-lo
TANTO, TANTO!”
“Eu quero apertá-lo
TANTO, TANTO!”
“Eu quero lutar com ele
TANTO, TANTO!”

 

E sabem porquê?
Porque todos o amavam…
TANTO, TANTO!

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