Videojogos criam dependência tal como o álcool ou a cannabis

Videojogos criam dependência tal como o álcool ou a cannabis

Os videojogos criam dependência e actuam sobre o cérebro da mesma maneira do que o álcool ou a cannabis, de acordo com o que revela um estudo de cientistas alemães apresentado recentemente em Viena. “As reacções cerebrais das pessoas que usam em excesso os videojogos são semelhantes às dos alcoólicos ou dos viciados na cannabis”, de acordo com o que afirmou Ralf Thalemann, do Instituto de Medicina Psicológica da Universidade Charité de Berlim.

Se os utilizadores de videojogos submetem o cérebro continuamente a certos estímulos de recompensa que causam a libertação de quantidades crescentes de dopamina, um neurotransmissor, cria-se uma “memória de habituação”que tem efeitos na actividade cerebral.

Em testes realizados em mais de sete mil pessoas, os investigadores descobriram que mais de 10 por cento tinha essa “memória de habituação” gravada no cérebro. A equipa de investigadores, chefiada por Thalemann, quis investigar o resultado cerebral dessa “habituação”, comparando as reacções cerebrais a imagens de um videojogo em 15 jogadores “normais” e outros 15 que passavam muito tempo em frente ao ecrã do computador. Os cientistas comprovaram que os jogadores que dedicavam mais tempo aos jogos tinham uma reacção cerebral muito mais elevada do que os outros a esse estímulo, e que as imagens dos videojogos tinham uma associação positiva para eles.

“Podemos afirmar que o electroencefalograma e o modelo de electromiograma dos que usam em excesso os videojogos são comparáveis aos dos viciados no álcool e na cannabis” afirmou Thalemann. Isso acontece, acrescentou, porque “o sistema de recompensas cerebrais se encontra activado e as experiências positivas são armazenadas numa memória de habituação no cérebro”.

O cientista sugeriu que os pais que suspeitem que os seus filhos estão viciados em videojogos devem encaminhá-los para actividades alternativas que cumpram a mesma função de “elevar o amor-próprio” dos jovens.

Agência Lusa. 27 de Julho de 2006

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