Fortaleça a auto-estima dos seus filhos

Fortaleça a auto-estima dos seus filhos

Os elogios, quando merecidos, constituem um prémio emocional que fortalece a auto-estima das crianças e abrem caminhos para o sucesso.

Investigações na área da psicologia positiva e da inteligência emocional mostram claramente a importância das emoções positivas na manifestação do potencial de cada sujeito, ou seja, o sucesso escolar, profissional ou pessoal depende em grande parte da nossa capacidade de mobilização de emoções positivas.

EDUCAÇÃO PELA POSITIVA

Uma crença muito enraizada junto de pais e educadores é a de que o elogio poderá contribuir para que a criança se sinta tão valorizada que deixe de exibir o comportamento desejado. Substitui-se, então, o elogio por atitudes de pressão e crítica, o que se traduz numa abordagem da educação pela negativa.

Claro que nenhum técnico, pai ou educador poderá menosprezar a importância da punição na imposição da disciplina como forma de corrigir os comportamentos desadequados. No entanto, o elogio, quando merecido, é um prémio emocional que fortalece a auto-estima e abre caminhos para o sucesso.

A eficácia do elogio depende de diversos factores. Primeiro que tudo, o elogio deverá ser transmitido logo após acontecer o comportamento desejado, porque assim o seu valor como reforço será mais intenso. Não se deve esperar apenas pelo comportamento ideal, mas sim elogiar as sucessivas aproximações, já que assim se estará a motivar a criança no sentido de melhorar cada vez mais o seu comportamento.

Além disso, o elogio nunca deve ser acompanhado de ironia ou sarcasmo, porque perderá completamente o seu valor. Expressões como “fizeste os TPC sozinho? Isso nem parece teu!” são completamente o oposto do que se deve fazer em termos de educação. A criança sente-se desvalorizada, apesar de estar a fazer um esforço no sentido de corresponder às expectativas. A sinceridade do elogio não deverá estar comprometida, ou seja, mais vale optar pelo silêncio do que premiar um comportamento desadequado.

No fundo, há que reter a ideia de que uma educação pela positiva tem maiores hipóteses de conduzir ao sucesso do que o oposto. Um elogio que surge de forma oportuna e adequada pode constituir um instrumento fundamental para o educador optimista, já que assegura a promoção da auto-estima e o reforço dos talentos das crianças.

APRENDER A SER POSITIVO
As crianças aprendem basicamente através da observação do comportamento dos pais. Um pai/mãe com uma atitude positiva transmitirá essa “filosofia de vida” aos filhos. É sabido que um optimista vê os fracassos e dificuldades como oportunidades para aprender mais, para desenvolver capacidades, para melhorar a sua qualidade de vida. As barreiras transformam-se em desafios possíveis de superar.

Posto isto, segundo os estudiosos da corrente da psicologia positiva, a mudança terá de operar-se, primeiro que tudo, a nível dos próprios pais. Facilmente constatamos que pais entusiastas pelo conhecimento fazem com que os filhos se apaixonem também pelo acto de aprender. Para estas crianças, a escola é vista como um local de exploração, onde diariamente vão beber conhecimentos úteis para o futuro, e não como algo obrigatório e aborrecido, onde passam grande parte do dia.

Esta atitude faz toda a diferença, já que lhes permite encarar as dificuldades como males necessários que persistem em transmitir-nos lições. Crescer sob esta perspectiva fortalece-lhes a auto-estima, e chegam à vida adulta carregadas de esperança, alegria, sonhos e desejos, com a certeza absoluta de que têm as capacidades necessárias e suficientes para os realizar.

O OPTIMISMO RETARDA O ENVELHECIMENTO
As pessoas tidas como optimistas têm menos probabilidade de mostrar sinais de debilidade (como a doença de Alzheimer, por exemplo) do que as maioritariamente pessimistas, segundo um estudo promovido por um grupo de pesquisa da Universidade do Texas. Muito em voga nas universidades americanas, a psicologia positiva começa também a ser utilizada como ferramenta pedagógica em escolas com diferentes faixas etárias. Aprender a ser optimista é visto como algo tão importante como ser bom a Matemática, a Inglês ou a Português!

 

Esperança
Segundo a psicóloga Helena Marujo, para desenvolver a esperança é necessário que a criança:
• Acredite nas suas capacidades.
• Reconheça as suas virtudes e defeitos, potenciando os primeiros.
• Perceba que há uma parte da sua vida da qual é responsável (se estudar, certamente terá boas notas) e há outra que não pode controlar (o conflito entre os pais).
• Mantenha os olhos postos no futuro, não abdicando dos seus sonhos.
• Estabeleça metas e esforce-se por atingi-las.

Em Portugal
Uma investigação recente realizada por Helena Marujo revelou que os jovens portugueses dos 8 aos 18 anos apresentam taxas depressivas mais elevadas do que os jovens norte-americanos e espanhóis. Grande parte destes jovens tinha um discurso muito pessimista relativamente ao futuro, fruto daquilo a que a psicóloga chamou uma “desumanizadora pressão para o sucesso” em que os alunos sentem que o afecto que recebem é condicionado pelo sucesso escolar.

O que dizem os números
As ciências médicas modernas estimam que entre 80 a 90 por cento de todas as doenças são provocadas pelas emoções negativas

Teresa Paula Marques – psicóloga clínica/psicoterapeuta
In: CERTA | Fevereiro de 2009

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