Fome não saciada

Kurtmartin Magiera (Org.)
Die Nacht im Dezember – Texte zur Geburt des Herren
Butzon & Bercker, 1968

Fome não saciada

Toda a pobreza humana provém da avareza: a pobreza material por recusamos dar do que possuímos; a pobreza da alma por recusarmos dar do nosso tempo e do nosso coração.

Todas as dores (pena), as violentas e as que são sentidas de forma oculta, toda a amargura, todo o abatimento, toda a mágoa, todo o ódio e desespero deste mundo não são mais do que uma fome não saciada. Fome de paz, de ajuda, de amor.

O rapazinho que verte lágrimas amargas porque a mãe, num ataque de nervos, lhe deu uma bofetada sem razão, o avô muito idoso, a quem os netos não vão visitar nem cumprimentar; a menina feia em quem ninguém repara e é deixada a um canto, bem como a esposa que é desprezada pelo marido, e a senhora que, na sua solidão, entra pelo mar dentro; o rapaz, a quem o melhor amigo substituiu, e o jovem de vinte anos que morre na cama completamente só enquanto a enfermeira toma o seu café na cozinha; a criança abandonada no lar social e o homem que é conduzido ao local de execução, todos careceram de amor e foram prejudicados, porque o amor lhes foi negado de uma forma egoísta. Contudo, cada um deles tinha direito a um pouco da vida e do coração de uma outra pessoa que, no entanto, lho recusou. Para poder viver, cada um precisava de um pouco do que a outra pessoa guardou para si embora sem lhe servir para nada, e que acabou por apodrecer porque não foi usado.

Isabelle Rivière

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