A festa de Carnaval

A festa de Carnaval

— Porque é que estás a chorar, Susi? — pergunta Jacob.

— Porque a Catarina foi horrível para mim — soluça Susi.

A coroazinha de papel dourado que tem na cabeça está torta. O rímel escorreu-lhe das pestanas para a cara, e os olhos estão vermelhos de chorar.

Jacob tem vontade de dizer: “Tu às vezes também és má para a Catarina.” Mas pensa melhor e pergunta.

— Mas o que é que a Cati te fez?

— Riu-se de mim — choraminga Susi — e disse: “Isso é que é um vestido de princesa? Mais parece uma camisa de dormir melhorzinha!”

Jacob olha para o vestido de Susi. É comprido e branco, não muito largo, e enfeitado com rosas de papel de seda.

Catarina também está disfarçada de princesa. Tem uma saia de roda com muitos folhos na cintura. “Catarina parece mais uma princesa do que a Susi”, pensa Jacob.

— Tu também achas que isto é uma camisa de dormir, não é? — diz Susi com ar triste.

— De camisas de dormir eu não percebo muito — responde Jacob. — Mas podias ser a princesa de “A princesa e a ervilha”. Assim combina tudo: a camisa de dormir e a coroa.

Susi pára de chorar.

— Tu és muito simpático, Jacob, mas a Catarina é má e eu não entendo como é que ela é tua amiga.

— Convido-te para um sorvete de laranja — diz Jacob — e danço contigo. Mas tens de prometer-me que deixas de estar zangada com a Catarina. Ela não estava a falar a sério. Se calhar, tinha um pouquinho de inveja de ti porque tu hoje podes usar rímel e ela não.

— Se calhar é por isso — diz Susi, limpando o rímel da cara.

— Mas agora já estás outra vez bonita — diz Jacob.

Na pista de dança encontram-se com Catarina.

— Olá, Catarina! — diz Susi amavelmente.

Tradução e adaptação
Lene Mayer-Skumanz (org.)
Jakob und Katharina
Wien, Herder Verlag, 1986

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