O desejo de reconhecimento – Thomas De Koninck

Thomas De Koninck
A nova ignorância e o problema da cultura
Lia, Edições 70, s/d

Excertos adaptados

O desejo de reconhecimento

Por que razão, quer queiramos quer não, atribuímos tanta importância ao que os outros dizem de nós, mesmo quando afirmamos que isso não nos afecta realmente ou que os desprezamos? De onde vem o choque por não sermos cumprimentados ou simplesmente reconhecidos por este ou por aquele? Quer o confessemos ou não, por que desejamos tanto ser apreciados?

É que o respeito de si e o amor de si bem compreendido («ama o teu próximo como a ti mesmo», diz um célebre ditado) são as nascentes vivas de todo o agir humano. Percebemos isto claramente pelos seus contrários. Gabriel Mareei evocava o uso sistemático pelos nazis de «técnicas de aviltamento» cujo objectivo era destruir, nos indivíduos, «o respeito que estes podiam ter por si» e «transformá-los, a pouco e pouco, num resíduo que se apreende a si mesmo como tal e que, por fim, só pode ficar desesperado, não apenas intelectualmente mas também vitalmente, consigo próprio». De forma análoga, os media, a imprensa escrita ou audiovisual, a publicidade, o bombardeamento televisivo de imagens violentas ou simplesmente triviais mas anestesiantes produzem e sustentam uma imagem degradada do ser humano – e de si, por conseguinte –, reduzindo ao mesmo tempo a qualidade da vontade de agir e ameaçando aniquilar, a pouco e pouco, o desejo não só de dar um sentido à vida mas simplesmente de viver.

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