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Histórias em Português

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A arte de arruinar a sua própria vida – Educar no ressentimento

06 por contadores.destorias

María Jesús Álava Reyes
A arte de arruinar a sua própria vida
Lisboa, A Esfera dos Livros, 2007
(excertos adaptados)

Educar no ressentimento

Seguramente pensaremos que ninguém, de uma forma consciente, trata de educar no ressentimento. Mas se assim fosse, não nos cruzaríamos com tantas pessoas ressentidas, cheias de raiva, quando não de rancor; pessoas incapazes de se sentirem bem, porque em vez de viverem a sua vida, estão obcecadas com a vida dos outros.

Muitos acreditarão que estamos a falar de pessoas mais velhas, que as crianças agora, felizmente, têm outro tipo de educação e não demonstram esse ressentimento. Mas… estamos certos de que é assim? Então por que razão há crianças, adolescentes, jovens… que parecem desfrutar da desgraça alheia, que nunca estão satisfeitos com o que têm? Os educadores sabem que muitos alunos desfrutam quando outros passam mal, mas não só quando os aparentemente triunfadores sofrem algum descalabro – este costuma ser o preço do sucesso –, desfrutam inclusivamente quando os «fracos», os menos afortunados, padecem o escárnio dos seus colegas ou as limitações das suas circunstâncias.

Educar no ressentimento é educar na intolerância, na falta de generosidade e na ausência de valores.

O nosso sistema social não é o melhor cenário para que as pessoas aprendam a sentir-se bem quando as circunstâncias não são favoráveis e a não se sentirem mal quando nos são prejudiciais enquanto outros são os beneficiados.

O excesso de pressão, de exigências, de pressa, de sobrecarga de estímulos que não sabemos ou não podemos assimilar leva-nos em certas ocasiões a condutas de «salve-se quem puder», provocando emoções negativas, onde o ressentimento encontra um excelente campo de cultivo para se propagar.

Recordemos que o contrário do ressentimento é a generosidade, é chegar a usufruir do nosso bem-estar; mas também do dos outros.

Aproveitemos e potenciemos esses sentimentos de generosidade e altruísmo que convivem igualmente nas crianças e nos jovens.

O bombardeamento de publicidade de que somos vítimas hoje em dia não é precisamente a melhor ajuda para este fim. Muitos parecem ressentidos por não poderem alcançar ou usufruir de tudo o que nos põem em frente dos olhos.

Até que não compreendamos que a nossa satisfação pessoal não depende do que tenhamos, mas sim de que cresçamos como pessoas, o ressentimento e a insatisfação serão desagradáveis acompanhantes.

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