O homem do sam-lun-ché Maria Ondina Braga
Vento que varre a montanha depois do aguaceiro.
Frescura de Outono ao cair da tarde.
Claridade da lua por entre os pinheiros.
Água cristalina sobre as pedras.
Um frémito percorre os bambus: as lavandiscas regressam.
Nenúfares dançam nas águas: o pescador traz a sua barca.
Evaporam-se os odores da Primavera.
Quem poderá encontrá-los? O coração silencioso?
Wang Wei
Odor de bambu fresco no meu quarto.
Luar intenso no jardim.
Gota a gota, o orvalho, cristal.
Uma a uma, as estrelas cintilantes.
Um ou outro pirilampo nos locais sombrios.
As galinhas de água chamam-se, entre as margens.
Lá longe, o mundo guerreia-se.
Sentado no leito, escuto e reflicto.
Tou Fou